Titá à janela da alma

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Mar Palha

Vou ficar uns dias em "mar palha".
Sossegada, sem agitações... só para descansar, arrumar ideias, recuperar emoções...deixar-me ir ao sabor da vontade do vento ou do mar...
Obrigada a todos os que passam por esta salinha e se dão ao trabalho de comentar. Os comentários são o estímulo que me tem levado a continuar a escrever e a expôr-me por aqui.
Obrigada aos amigos que mesmo longe em kms, têm utilizado esta sala para alimentar amizades, enganar saudades.
Graças a este blog conheci pessoas interessantes, outras nem tanto. Aqui, gritei paixões, exorcizei demónios, perdi conhecidos e ganhei amigos. Fui injuriada, mas também elogiada. Recebi visitas, muitas visitas, na sua maioria de uma simpatia extrema, outras, foram deixando alguns traços amargos, atiçando discussões. Aqui, decepcionei-me com atitudes e orgulhei-me e surpreendi-me com actos.
Em suma, cresci como pessoa.
Mas, vou descansar uns dias, ficar em "mar palha".
O osteoporose das palavras fica em aberto, aguardando os vosss comentários, sugestões,criticas, desabafos..o que Vos apetecer dizer...se apetecer....
Eu, voltarei em breve!
Beijos
posted by Titá at 28.9.06 24 comments

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Carta aos Amigos

Meus queridos,
Escrevo para agradecer o Vosso apoio e insistência em mimarem-me!
Escrevo para Vos pedir um tempo!
Já me conhecem....preciso ir ao fundo do poço para conseguir voltar ao de cimo.
A vida é um jogo…jogamos!
E quando não queremos mais jogar assim?
Quando não é esse o caminho que se escolheu?

Estou a ficar sem forças, sem energias para continuar este jogo, para lidar com as partidas constantes e sucessivas que a vida nos prega.
Estou cansada de acreditar que mereço tudo o que recebo, o bom e o mau e que se souber ultrapassar as situações me sentirei mais forte e melhor como pessoa.
É mentira!
Sinto-me mal! Não gosto de mim, assim! Não gosto de jogar com estes trunfos!
Amigos, estou a passar uma fase difícil. Os problemas surgem atrás uns dos outros e as dores físicas não me dão descanso.

Costumava lidar com as situações, tal como um toureiro lida o seu touro, mas estou desanimada, sem fé, sem vontade…

Preciso descansar!
Parar!
Olhar para dentro de mim, procurar-me e tentar encontrar forças para levar adiante aquilo que ainda se espera de mim.

Apesar de tudo, estou bem, sou eu mesma...e não é preciso preocuparem-se…é só uma osteoporose nas palavras e só preciso que me dêem algum espaço e tempo para me reencontrar.

Quem me conhece sabe que só preciso de meia dúzia de dias sozinha. Por isso não escrevo, não telefono, não respondo, não convivo…vá lá…. Deixem lá....

Vou ali e já volto!ok?
Um beijo
Teresa
posted by Titá at 27.9.06 12 comments

Domingo, Setembro 24, 2006

A janela do Outono


O Outono chegou!
Gosto de todas as estações do ano. Todas têm a sua característica, a sua própria beleza, mas o Outono deixa-me muito tranquila, atenta ao meu redor, desperta para cheiros, cores e sons.
Sintra hoje, está particularmente bonita.
Cai uma chuva teimosa, não está frio, nem vento. Está lá,como sempre, aquela ligeira neblina que insiste em viver por cima do Castelo dos Mouros.
A vegetação está fresca, cheia de vida, salpicada de gotinhas que escorregam sem pressa e caem num saltinho, que quase se ouve sobre uma terra bem castanha, que começa a ensopar e por isso larga aquele cheiro único.
Cai, do cimo da serra uma humidade que entranha na pele.
Já se vêem algumas folhas no chão. Gosto de arrastar os pés por baixo dessas folhas, mas ainda não estão naquele amarelo típico, nem secas, para fazer aquele barulhinho de papel amachucado.
Apesar disso, num olhar geral, até já se vê o amarelo torrado, o laranja e o castanho típicos do Outono.
Parece uma manta velha, com pequenos pontos de cor bordados, que se destacam aqui e acolá.
Os azuis, roxos e púrpuras das hortênsias destinguem-se vivamente!Soltam um pequeno aroma, que misturado com a humidade e o cheiro da terra molhada fazem desta Vila, nesta altura do ano, algo único...
Desço as escadinhas inclinadas, velhas, gastas mas de branco tingidas, que atravessam descaradamente paredes idosas, de amarelos claros, côr salmão, rosas deslavados, todas já bem desgastadas e começa-se a sentir o cheiro do café forte, de chás distintos e ao longe, meio dissimulado, o cheiro dos travesseiros e das queijadas acabadas de sair do forno. HUmmmm!
Ouvem-se gargalhadas que fogem dos inúmeros cafesitos que vivem por ali e, novamente, aqueles acordes de guitarra!
Olho para o lado, para aquela janela de pedra que tão bem conheço e como sempre, como habitualmente, lá está aquele homem de cabelo claro, debruçado gentilmente sobre uma guitarra velha, deixando deslizar os dedos desenfreadamente, e com um ar sofrido,dorido, triste, só.
Fico sempre enternecida com esta visão! Há pelo menos dois anos que me deparo com este quadro. Seja Verão ou Inverno, aquela janela está aberta soltando gemidos sentidos, e aquele homem está só, triste, com uma dor no rosto, que não me conforma.Seja que estação for, naquela janela, sinto sempre o Outono.
Juro! Juro que um dia destes dou um toque no vidro e meto conversa.
Digo sempre isto! Nunca o faço!
Mas regresso a casa sempre tão mais tranquila e com aquela sensação de Outono, que me é tão agradável.Apesar do ar triste daquele homem, o som daquela guitarra aconchega, tanto como a vila, que apesar de estar a perder as cores fortes do verão e a deixar-se tingir por cores mais sóbrias e tristes, me conforta e agasalha sempre.
Já tentei muitas vezes, contar, escrever, descrever aqui, sobre aquela janela, aquele homem, aquela guitarra, mas nunca fui capaz de ser justa e descrever a verdadeira candura que aquela imagem transmite. Hoje, não fui mais uma vez capaz desse feito, nem de pintar por palavras tamanha beleza, mas é Outono e, para mim, aquela é a Janela do Outono.
posted by Titá at 24.9.06 26 comments

Sábado, Setembro 23, 2006

Insónias



Podia ter-me dado para pior!!!!
posted by Titá at 23.9.06 8 comments

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Avó Hortênsia

Ontem, percebi que meus primitos mais novos começaram a visitar este blog. Fiquei contente. Fiquei sobretudo orgulhosa pelas palavras de força e coragem que aquele miúdo me transmitia. Andei com ele ao colo, e foi agradável saber que se tornou num homem sério, inteligente e sensível.
Um dos temas que abordámos, foi o eterno orgulho que temos na nossa familia. É certo que os Sampaios deixaram ao longo dos anos, histórias gloriosas e memórias por toda a beira alta, de que nos orgulhamos e nos une cada vez mais. Usamos muitas vezes a expressão:" Somos Sampaios, vamos ser capazes de resolver isto". Mas o que nos mais orgulha, é a forma como apesar de todas as nuances da vida, nos mantemos unidos e fortes.
Se é um orgulho este nome, é também um peso na nossa vida, pois sabemos que temos que continuar a dignificar este nome, esta familia e tudo o que ela nos deixou.
Comovida por perceber que os mais novos herdaram essa sensibilidade, não pude deixar de sentir saudades de minha Avó e de lamentar o facto de estes, por serem mais jovens, não terem tido muito tempo para privarem com esta enorme Mulher.
Lembrei-me então, de lhes contar através deste espaço, aquele episódio que me aconteceu há uns meses e mostrar-lhes assim a força da nossa Avó e o peso do nosso nome.
Repito o post e dedico-o a Vós, Tiago e Carlos Sampaio


Avó Hortênsia
A Mafalda, amiga de há muitos anos, está de visita a Lisboa. Ela é assistente social e anda sempre de um lado para o outro com famílias ciganas e/ou de circo. É uma saltimbanca. :-)Sempre que vem a Lisboa, é costume encontrarmo-nos para jantar e pôr as novidades em dia. Desta vez não foi diferente.Combinei ir buscá-la ao circo, onde vive a família com quem está a trabalhar de momento e levá-la ao restaurante onde estariam outras duas amigas à nossa espera.Como eu, e quem me conhece sabe que é verdade, perco-me em todo lado com muita facilidade, resolvi levar a Sílvia comigo.Chegamos, já no fim do espectáculo e tal como combinado, fomos procurá-la nos “bastidores" (não sei se no circo é assim que se chama).

Revê-la é sempre uma alegria, uma festa.
- Titá, dá-me só um minuto. Tenho que me despedir de algumas pessoas e já venho.
Reparei que existia uma cumplicidade enorme entre ela e o Homem com quem falava, e eu, que não resisto a estas coisas, disse-lhe:
- Oh Mafaldinha, se quiseres podes trazer o teu amigo.
- Achas que sim? Então espera um minuto.
Foi falar com ele e trouxe-o até nós.
- Jaime, estas são duas amigas minhas de há muitos, muitos anos: a Titá e a Sílvia.
O Jaime, que pelos vistos já sabia do convite disse:
- Obrigado pelo convite. Adoraria ir, mas tenho que me deitar cedo porque amanhã tenho que apanhar um comboio para Nelas às 7h00 da manhã.
- Para Nelas? Mas isso é a minha terra! Respondi com a alegria típica do Português que encontra um conterrâneo.
- Para ser exacto, o comboio vai até Nelas, mas eu vou mesmo para Santar.A Sílvia deu um gritinho e disse:
- Mas Santar é que é mesmo a terra da Titá. Eu também já lá estive. Vai adorar! É uma vila muito agradável.
Ele virou-se para mim e disse:
- Aí é!?! Também é a minha Terra!
- Sim?!? Perguntei incrédula. Santar é uma Vila pequena. Conheço toda a gente….
- Então, talvez me possa ajudar! Vou procurar uma Senhora a quem devo a minha vida!Os meus pais são ciganos, como já deve ter reparado, e há 38 anos atrás viviam com muita dificuldade. Tinham um pequeno circo que andava de aldeia em aldeia. Chegaram a Santar em Novembro e minha Mãe estava grávida de mim. Por um qualquer esforço entrou em trabalho de parto antes do tempo e começou a parir no acampamento onde estavam, num largo, em frente a uma igreja. Um Senhor que vinha de velar um amigo, reparou no que estava a acontecer e comentou que estava muito frio para ela estar ali, que deviam procurar quem os recebesse e ajudasse....Mas quem recebia ciganos? Não recebem agora, quanto mais há 38 anos atrás e numa vila conservadora.
Ao que parece o Senhor chegou a casa e comentou a cena com a esposa.Essa Senhora saiu a correr de casa e foi ter com minha Mãe. Levou-a para a casa dela e ajudou-a no parto, chamando o médico da terra. Ao que parece, era costume esta Senhora fazer isto. Recebia pessoas necessitadas em sua casa e ajudava toda a gente.E lá nasci eu!
E o jaime continuava:
- Eu estava bem, mas a minha Mãe teve algumas complicações e essa Senhora deu guarida a meus pais durante um mês inteirinho. Alimentou-nos e aqueceu-nos sem fazer qualquer distinção entre nós e a restante família. Inclusive tratou de meu baptizado.

Neste momento, já eu tremia. Sentia-me tonta. Quase vizualizava o que ele contava.Reconhecia este tipo de atitudes. Esta história era me familiar. Cresci e vivi no meio de inúmeras histórias destas.

Desejei que se calasse por um momento, para que eu acalmasse a saudade que já amargava na boca, mas o Jaime continuava entusiasmado e as palavras dele ecoavam alto e a bom som...por segundos deixei de ouvir a descrição exaustiva que fazia do seu próprio batizado, apesar que, de quando em vez, reconhecia algo, alguma coisa....e ele continuava:

- Toda a vida, a minha Mãe falou desta história e me fez ver a divida que tinha para com esta Senhora. Agora que minha Mãe morreu, acredito que devo procurar estas raízes.
A senhora de que falo já deve ter falecido.Para mim, basta-me ver a casa onde nasci e talvez encontrar alguém da família dessa Senhora.- Talvez a Titá conheça. Chama-se Hortênsia Sampaio.
O Jaime olhou para mim e ficou estarrecido.

- Então? Sente-se bem?

Tanto a Mafaldinha, como a Sílvia tinham os braços sobre os meus ombros e seguravam as minhas mãos que tremiam. As lágrimas corriam pela minha cara, ao mesmo tempo que esboçava o maior sorriso de que me lembro.

- Meninas que é isso?Então, sei que é uma história comovente, mas não é caso para ficarem assim. Desculpem, mas….

- Jaime! Essa Senhora é a minha Avó….. A minha Avó Hortênsia…respondi comovida.

posted by Titá at 21.9.06 23 comments

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Adeus

Todas as quartas-feiras partilho convosco o meu livro de cabeceira. Hoje, releio Eugénio de Andrade, pois não comprei nenhum livro desde que regressei de férias. No entanto, é sempre como a primeira vez ler este poeta...Delicioso. Espantoso!


Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.

Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.

Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade


(Poema Maravilhoso, não é? Eu adorei .)
posted by Titá at 20.9.06 13 comments

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Stresss


A desfolhada acabou.
Começam agora as vindimas.
E eu aqui, metida no meio de uma ic19.
Quando ganharei juízo e migro de vez para a Beira?
posted by Titá at 18.9.06 8 comments

Domingo, Setembro 17, 2006

Minha Flôr

9

Parabéns Princesa!!!

Amo-te muito minha estrela, meu sol!


posted by Titá at 17.9.06 10 comments

Sábado, Setembro 16, 2006

Parabéns


PARABÉNS MARUJO!!!
posted by Titá at 16.9.06 4 comments

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Saltos altos



O Descanso da estupidez!!!











Não consigo entender esta minha estupidez ao insistir andar de saltos altos.
Estou que nem posso!…
Mas que mania esta! Porquê esta insistência?Inconsciência?Tara?
Sei que passo o dia em periciais ( mas disfarçados, dissimulados) jogos físicos de contorcionismo para conseguir caminhar nas calçadas Lisboetas.Para quem, como eu, adora andar a pé, é no mínimo, ridiculo....
Evitar enfiar os saltos nos espaços destas calçadas, é igualmente, um constante exercício de perícia e destreza.
Ao fim do dia, já sei que as costas se queixarão, que as pernas estarão pesadíssimas. Mas mesmo assim, quase todos os dias, opto por calçar sapatos de salto alto.
É estupidez!
Maior estupidez ainda, quando sabemos que neste momento temos uma amiga a recuperar de um dolorosa cirurgia a uma perna e que, esse problema, provavelmente, se deveu às longas horas e caminhadas em cima destes saltos.
Há uns dias, um arquitecto que subia as escadas atrás de mim dizia-me: "Os saltos altos e as senhoras caminharem assim sobre eles é a maior obra de engenharia que conheço”
Pois caro Arquitecto, na altura sorri e não fiz qualquer comentário, mas hoje digo-lhe, que é sim, a maior prova da estupidez feminina.

Marta, minha querida, as melhoras…vai correr tudo bem. Um beijo e aquele abraço.
posted by Titá at 15.9.06 20 comments

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

Pedacinhos da Beira...

Hoje foi o primeiro dia de aulas da minha Princesa.
Já está no quarto ano, mas eu ainda não aprendi nada e saí de novo daquela escola com o coração apertado, mãos trémulas, emocionada.
No carro uma lágrima teimou em aparecer. Desta vez, deixei que caísse. Estava sozinha.
Ai! Como estava sozinha. Precisei tanto de um abraço naquele momento! Pensei em pegar no telemóvel e ligar para todos os meus amigos, para meu irmão, mas acabei por não o fazer. Não queria incomodá-los mais uma vez com esta parvoíce, com este drama anual e sem cabimento algum, que eu, parva, teimo em sentir repetidamente. Afinal, a miúda adora a escola e ficou entusiasmadíssima junto de suas amigas e colegas.
Mas eu continuava a precisar de um abraço!
Lembrei-me do meu primeiro dia de aulas, das emoções de então. Sorri! Recordei a minha amiga de sempre, a Sónia, e percebi como foram fáceis esses regressos anuais à escola, só por saber que ela estaria lá, comigo. Fiquei tranquila por saber que também a minha Princesa tem uma amiga assim, que já a esperava ao cimo das escadas e que se sentou de imediato ao lado dela.
Sónia, pela primeira vez revoltei-me por teres ido trabalhar para o Porto. Sinto a tua falta e hoje não estavas aqui para aquele abraço!
Pensei em meu irmão e como lhe está a ser difícil levar a minha sobrinha para o primeiro dia de aulas, para o primeiro ano. Para este sim, é um dia difícil. Dei-lhe um abraço telepático. Estou certa que o sentiu. Egoistamente voltei a revoltar-me por também ele ter ido para Sines.
E eu, que precisava daquele abraço!
Telefonei a meus pais. Senti-me melhor, mimada e senti uma imensa saudade da minha terra.
Fui buscar os pedacinhos que tinha trazido de Santar e juntei-os um a um. Juntei um pouco daqueles dias quentes, escaldantes do interior. Juntei as cores de um planalto que amo e coloquei-os num canto de minha cozinha para que não se apaguem tão cedo de uma memória que já teima em saltitar de stress e que hoje está teimosamente egoísta e carente...
Enganei esta fragilidade de momento, procurando forças no cheiro da terra e nestes pedacinhos da Beira...

posted by Titá at 13.9.06 22 comments

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Vale a pena sim senhor

Não levem a mal o que por aqui vou escrever. Não é uma crítica, é um desabafo meu.
Não pude deixar de me sentir triste, desanimada com a falta de fé que existe actualmente. A maior parte das pessoas opta por não exercer o poder do direito cívico por não acreditar numa resposta a este.
Deixámos de acreditar em nós, nos nossos direitos, na nossa liberdade.
Convencidos de que nada podemos fazer para mudar este mundo, desistimos de facto, cruzámos os braços e colocámos umas palas nos olhos, seguindo atrás uns dos outros, com o nosso melhor ar acinzentado, mas compenetrado.
Não vou chamar-nos de rebanho…esse cliché. Não! As ovelhas são alegres e há sempre alguma que saltita e foge.
Deixámos de questionar e aceitamos tudo como dados adquiridos. Deixámos de perguntar e recebemos famintos, esse prato frio que engolimos sem sequer sentir o sabor.
Sentido critico é algo que só exercemos em dias inspirados e na maior das intimidades, rodeados de um amigo ou dois, quase em segredo.
Desculpas como: “Não vale a pena”, “Para quê?”, “Não vai dar em nada”, “Ninguém liga” ...são servidas actualmente em bandejas de prata àqueles que governam.
Demitimo-nos da sociedade activa e somos cúmplices daqueles que inquinam as boas ideias e as deturpam para se encherem de tudo, prejudicando todo um colectivo demissionário.
Dizemos nós que somos activos? Somos a Sociedade activa, nós?
Porquê? Porque trabalhamos, pagamos impostos e até contribuímos para uma SS que não existe? Não somos nada a sociedade activa.
Sociedade activa é aquela que questiona em prol do conhecimento, é a que põe em causa o que nos vendem e publicitam, é a que reage, reclama, refila e grita injustiças!
Sociedade activa é aquela que exerce os seus direitos básicos, é aquela que acredita: Sou só um, mas tenho peso! É aquela que não cruza os braços, porque antecipa um fim nulo para a sua cruzada, só porque se deixa ser mais uma ovelha neste rebanho pessimista.
Sociedade activa é aquela que acredita e faz por acreditar que vale a pena, porque a alma (sim, a nossa alma Portuguesa) não é pequena.

Muitos de Vós, que me conhecem pessoalmente, sabem que sou completamente apartidária, mas nunca apolítica e jamais me demitirei da sociedade em que vivo e para a qual contribuo financeiramente. Não me interessa portanto, quem esteja no poleiro, quem governe, é meu dever participar neste país.
Se eles não fazem, eu faço! Se eles se esquecem, eu lembro-os! Se eles erram, aviso-os! Se acertam, felicito-os! Se não concordo, digo-lhes! Se tenho ideias, soluções, partilho-as com eles!
Eu não quero só poder votar para alguém ir para lá fazer qualquer coisa pelo meu país. Eu quero participar. É preciso fazer algo? Ok, eu faço também! E há tantas formas de o fazer.
Foi o que fiz quando me aliei a esta iniciativa da petição dos incêndios. Sei que não é a solução para o problema, mas pode ser um dos caminhos para o resolver, por isso, embora lá sugerir isto a quem de direito!
Tenho plena consciência que há imensos problemas para os quais também pus uma pala nos olhos e segui o rebanho, mas fico triste quando isso acontece. Lá isso fico!
Isto tudo para explicar que, se um de vós me disser:"não faço isto ou aquilo porque não concordo" Eu aceito! Mas não me digam, por favor, "Não vale a pena!"
Tinha que desabafar este estado de espírito.Mas já passa! Afinal, de que adianta gritar, não é? Ninguém vai ouvir! E mesmo os que ouvem, podem sempre dizer..."Ninguém te vai ligar nenhuma!"
posted by Titá at 11.9.06 27 comments

Sábado, Setembro 09, 2006

Última hora


A Erika já é Mãe!
Ontem, ao fim da tarde, nasceram os seus três cachorrinhos. São lindos e vivaços. Um é todo branco, outro castanho com umas pintas pretas e outro todo preto.
A minha Princesa está emocionadíssima. Ri, chora, salta, está num turbilhão de emoções.
Abraça-a emocionada e diz: “Obrigada Erika, obrigada, és a maior!”
posted by Titá at 9.9.06 20 comments

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Petição

Desenho de Paulo Guerreiro. (Um abraço que meu Irmão me deu!)

A petição: "Um fim para os incêndios", continua a decorrer animada e cheia de energia.
No entanto, ainda faltam algumas assinaturas para atingir as pedidas 5.000.
Por isso, solicito mais uma vez a Vossa ajuda. Por favor, divulguem esta iniciativa on line. Usem vossos blogs, contactos e-mails, conhecimentos, etc.
Bem Haja a todos!

(http://www.petitiononline.com/fiminc/petition.html

Obrigada a todos os que, nos seus blogs, estão a divulgar também este link! Assim, será num instante que alcançaremos o objectivo.
posted by Titá at 8.9.06 5 comments

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Fim para os Incêndios - petição

Meus Amigos,
Conto com todos Vós para mais uma petição.
Sei que esta, é uma luta há muito acarinhada por muitos de Vós e conto com a Vossa já conhecida iniciativa para a divulgarem o mais possível.
Tomei conhecimento desta petição através do blog do João Gil, onde poderão encontrar mais informação e o desenvolvimento do tema de uma forma muito pessoal.
http://www.joaogil.blogspot.com/
O João Gil, músico que todos apreciamos, soube ouvir a floresta e nós? Vamos ouvi-la?
Conto Convosco!



Acreditando ser esta uma das soluções para o fim do flagelo, vimos por este meio pedir ao Sr. Primeiro-Ministro e ao Sr. Presidente da República a proibição imediata da comercialização dos terrenos ardidos, por um período nunca inferior a trinta anos.
Os signatários.
Assine a petição em:
(http://www.petitiononline.com/fiminc/petition.html)
Não se esqueçam de colocar o número do BI
posted by Titá at 7.9.06 16 comments

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Limonada


Meus Amigos,

Hoje, nesta sala não se servirá como habitualmente o café (virtual), mas sim limonada.

Por favor entendam, mas tenho de dar vazão ao cesto de limões que minha Mãe me mandou da Beira Alta.

Lindo não é?

E para mim, tem um imenso valor, porque o limoeiro que nos ofereceu tão belo arranjo foi plantado por mim e pela minha Princesa há cerca de quatro anos atrás.
posted by Titá at 6.9.06 9 comments

António Ramos Rosa

Um amigo, conhecido neste meio por Corvo Negro, como forma de me animar e ocupar esta demorada recuperação, apresentou-me um poeta por quem me apaixonei perdidamente: António Ramos Rosa.
Inteligente, transcendente, sensível.
Não pude deixar de partilhar esta descoberta convosco e de vos aconselhar a ler este autor.
Deixo-vos dois poemas,que escolhi ao acaso em toda uma obra imensa e maravilhosa, para aguçar a V. curiosidade.


I
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração."

II
"
Teu Corpo Principia
Dou-te um nome de água
para que cresças no silêncio.
Invento a alegria
da terra que habito
porque nela moro.
Invento do meu nada
esta pergunta.
(Nesta hora, aqui.)
Descubro esse contrário
que em si mesmo se abre: ou alegria ou morte.
Silêncio e sol – verdade,
respiração apenas.
Amor, eu sei que vives
num breve país.
Os olhos imagino
e o beijo na cintura, ó tão delgada.
Se é milagre existires,
teus pés nas minhas palmas.
O maravilha, existo
no mundo dos teus olhos.
O vida perfumada
cantando devagar.
Enleio-me na clara
dança do teu andar.
Por uma água tão pura
vale a pena viver.
Um teu joelho diz-me
a indizível paz. "

Obrigada Corvo...Branco ;-)

É a minha recomendação de leitura nesta quarta-feira!


posted by Titá at 6.9.06 13 comments

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Recuperação



Estou a recuperar bem.
Sento-me na minha varanda a que chamo o pequeno Triângulo das Bermudas e as dores vão desaparecendo .

Obrigada a todos pelo apoio e desculpem não atender o móvel, mas é dificil falar ...
posted by Titá at 5.9.06 6 comments

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

"Maxilar maxi chato"

Bem, lá fiz mais uma cirurgia ao maxilar. Desta vez de urgência...assim de repente.As dores eram insuportáveis e tive que fazer hoje mesmo.
Mas correu bem e já estou a recuperar.
Beijos para todos e obrigada pelo apoio.
O título deste post tem direitos de autor: são do Ad
posted by Titá at 4.9.06 7 comments

Domingo, Setembro 03, 2006

A Caixinha


Tenho uma caixinha nova!
Bem...não é nova.
Eu faço colecção de caixinhas, mas também de velharias e algumas antiguidades (assim o dinheiro desse para mais).
Pois bem, desta vez juntei os dois gostos num só: Esta é a minha caixinha nova, mas é muito velhinha e até já necessitada de algum restauro. É linda não é?
Fiquei tão feliz, que Vos quis mostrar e partilhar convosco estes tons únicos.
posted by Titá at 3.9.06 12 comments

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Sofrimento

Faz da tua alma um diamante.
Por cada novo golpe uma nova face, para que um dia ela seja toda luminosa.
(Rogelio Stela Bonilla)
posted by Titá at 1.9.06 2 comments

O Independente

O Jornal Independente "sai" hoje pela última vez.
Ao fim de 18 anos acaba assim um semanário que, quer gostemos ou não, revolucionou o jornalismo nacional e implementou uma nova forma de noticia. Assim, desaparece um semanário singular que marcou a história do jornalismo e o percurso de muitos jornalistas.
Não pude evitar alguma nostalgia quando soube deste fim.
posted by Titá at 1.9.06 9 comments