Titá à janela da alma
Quinta-feira, Setembro 28, 2006
Mar Palha
Obrigada a todos os que passam por esta salinha e se dão ao trabalho de comentar. Os comentários são o estímulo que me tem levado a continuar a escrever e a expôr-me por aqui.
Graças a este blog conheci pessoas interessantes, outras nem tanto. Aqui, gritei paixões, exorcizei demónios, perdi conhecidos e ganhei amigos. Fui injuriada, mas também elogiada. Recebi visitas, muitas visitas, na sua maioria de uma simpatia extrema, outras, foram deixando alguns traços amargos, atiçando discussões. Aqui, decepcionei-me com atitudes e orgulhei-me e surpreendi-me com actos.
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
Carta aos Amigos
A vida é um jogo…jogamos!
E quando não queremos mais jogar assim?
Quando não é esse o caminho que se escolheu?
Estou a ficar sem forças, sem energias para continuar este jogo, para lidar com as partidas constantes e sucessivas que a vida nos prega.
Estou cansada de acreditar que mereço tudo o que recebo, o bom e o mau e que se souber ultrapassar as situações me sentirei mais forte e melhor como pessoa.
É mentira!
Sinto-me mal! Não gosto de mim, assim! Não gosto de jogar com estes trunfos!
Amigos, estou a passar uma fase difícil. Os problemas surgem atrás uns dos outros e as dores físicas não me dão descanso.
Costumava lidar com as situações, tal como um toureiro lida o seu touro, mas estou desanimada, sem fé, sem vontade…
Preciso descansar!
Parar!
Olhar para dentro de mim, procurar-me e tentar encontrar forças para levar adiante aquilo que ainda se espera de mim.
Apesar de tudo, estou bem, sou eu mesma...e não é preciso preocuparem-se…é só uma osteoporose nas palavras e só preciso que me dêem algum espaço e tempo para me reencontrar.
Quem me conhece sabe que só preciso de meia dúzia de dias sozinha. Por isso não escrevo, não telefono, não respondo, não convivo…vá lá…. Deixem lá....
Vou ali e já volto!ok?
Domingo, Setembro 24, 2006
A janela do Outono

Sábado, Setembro 23, 2006
Insónias
Quinta-feira, Setembro 21, 2006
Avó Hortênsia
Avó Hortênsia
A Mafalda, amiga de há muitos anos, está de visita a Lisboa. Ela é assistente social e anda sempre de um lado para o outro com famílias ciganas e/ou de circo. É uma saltimbanca. :-)Sempre que vem a Lisboa, é costume encontrarmo-nos para jantar e pôr as novidades em dia. Desta vez não foi diferente.Combinei ir buscá-la ao circo, onde vive a família com quem está a trabalhar de momento e levá-la ao restaurante onde estariam outras duas amigas à nossa espera.Como eu, e quem me conhece sabe que é verdade, perco-me em todo lado com muita facilidade, resolvi levar a Sílvia comigo.Chegamos, já no fim do espectáculo e tal como combinado, fomos procurá-la nos “bastidores" (não sei se no circo é assim que se chama).
Revê-la é sempre uma alegria, uma festa.
Reparei que existia uma cumplicidade enorme entre ela e o Homem com quem falava, e eu, que não resisto a estas coisas, disse-lhe:
- Oh Mafaldinha, se quiseres podes trazer o teu amigo.
Foi falar com ele e trouxe-o até nós.
- Jaime, estas são duas amigas minhas de há muitos, muitos anos: a Titá e a Sílvia.
O Jaime, que pelos vistos já sabia do convite disse:
- Mas Santar é que é mesmo a terra da Titá. Eu também já lá estive. Vai adorar! É uma vila muito agradável.
Neste momento, já eu tremia. Sentia-me tonta. Quase vizualizava o que ele contava.Reconhecia este tipo de atitudes. Esta história era me familiar. Cresci e vivi no meio de inúmeras histórias destas.
Desejei que se calasse por um momento, para que eu acalmasse a saudade que já amargava na boca, mas o Jaime continuava entusiasmado e as palavras dele ecoavam alto e a bom som...por segundos deixei de ouvir a descrição exaustiva que fazia do seu próprio batizado, apesar que, de quando em vez, reconhecia algo, alguma coisa....e ele continuava:
- Toda a vida, a minha Mãe falou desta história e me fez ver a divida que tinha para com esta Senhora. Agora que minha Mãe morreu, acredito que devo procurar estas raízes. A senhora de que falo já deve ter falecido.Para mim, basta-me ver a casa onde nasci e talvez encontrar alguém da família dessa Senhora.- Talvez a Titá conheça. Chama-se Hortênsia Sampaio.
O Jaime olhou para mim e ficou estarrecido.
- Então? Sente-se bem?
Tanto a Mafaldinha, como a Sílvia tinham os braços sobre os meus ombros e seguravam as minhas mãos que tremiam. As lágrimas corriam pela minha cara, ao mesmo tempo que esboçava o maior sorriso de que me lembro.
- Meninas que é isso?Então, sei que é uma história comovente, mas não é caso para ficarem assim. Desculpem, mas….
- Jaime! Essa Senhora é a minha Avó….. A minha Avó Hortênsia…respondi comovida.
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
Adeus
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
(Poema Maravilhoso, não é? Eu adorei .)
Segunda-feira, Setembro 18, 2006
Stresss
Domingo, Setembro 17, 2006
Minha Flôr
Sábado, Setembro 16, 2006
Parabéns
Sexta-feira, Setembro 15, 2006
Saltos altos


O Descanso da estupidez!!!
Estou que nem posso!…
Mas que mania esta! Porquê esta insistência?Inconsciência?Tara?
Sei que passo o dia em periciais ( mas disfarçados, dissimulados) jogos físicos de contorcionismo para conseguir caminhar nas calçadas Lisboetas.Para quem, como eu, adora andar a pé, é no mínimo, ridiculo....
Evitar enfiar os saltos nos espaços destas calçadas, é igualmente, um constante exercício de perícia e destreza.
Ao fim do dia, já sei que as costas se queixarão, que as pernas estarão pesadíssimas. Mas mesmo assim, quase todos os dias, opto por calçar sapatos de salto alto.
É estupidez!
Maior estupidez ainda, quando sabemos que neste momento temos uma amiga a recuperar de um dolorosa cirurgia a uma perna e que, esse problema, provavelmente, se deveu às longas horas e caminhadas em cima destes saltos.
Há uns dias, um arquitecto que subia as escadas atrás de mim dizia-me: "Os saltos altos e as senhoras caminharem assim sobre eles é a maior obra de engenharia que conheço”
Pois caro Arquitecto, na altura sorri e não fiz qualquer comentário, mas hoje digo-lhe, que é sim, a maior prova da estupidez feminina.
Marta, minha querida, as melhoras…vai correr tudo bem. Um beijo e aquele abraço.
Quarta-feira, Setembro 13, 2006
Pedacinhos da Beira...
Ai! Como estava sozinha. Precisei tanto de um abraço naquele momento! Pensei em pegar no telemóvel e ligar para todos os meus amigos, para meu irmão, mas acabei por não o fazer. Não queria incomodá-los mais uma vez com esta parvoíce, com este drama anual e sem cabimento algum, que eu, parva, teimo em sentir repetidamente. Afinal, a miúda adora a escola e ficou entusiasmadíssima junto de suas amigas e colegas.
Mas eu continuava a precisar de um abraço!
Lembrei-me do meu primeiro dia de aulas, das emoções de então. Sorri! Recordei a minha amiga de sempre, a Sónia, e percebi como foram fáceis esses regressos anuais à escola, só por saber que ela estaria lá, comigo. Fiquei tranquila por saber que também a minha Princesa tem uma amiga assim, que já a esperava ao cimo das escadas e que se sentou de imediato ao lado dela.
Sónia, pela primeira vez revoltei-me por teres ido trabalhar para o Porto. Sinto a tua falta e hoje não estavas aqui para aquele abraço!
Pensei em meu irmão e como lhe está a ser difícil levar a minha sobrinha para o primeiro dia de aulas, para o primeiro ano. Para este sim, é um dia difícil. Dei-lhe um abraço telepático. Estou certa que o sentiu. Egoistamente voltei a revoltar-me por também ele ter ido para Sines.
E eu, que precisava daquele abraço!
Telefonei a meus pais. Senti-me melhor, mimada e senti uma imensa saudade da minha terra.
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
Vale a pena sim senhor
Não pude deixar de me sentir triste, desanimada com a falta de fé que existe actualmente. A maior parte das pessoas opta por não exercer o poder do direito cívico por não acreditar numa resposta a este.
Deixámos de acreditar em nós, nos nossos direitos, na nossa liberdade.
Convencidos de que nada podemos fazer para mudar este mundo, desistimos de facto, cruzámos os braços e colocámos umas palas nos olhos, seguindo atrás uns dos outros, com o nosso melhor ar acinzentado, mas compenetrado.
Não vou chamar-nos de rebanho…esse cliché. Não! As ovelhas são alegres e há sempre alguma que saltita e foge.
Deixámos de questionar e aceitamos tudo como dados adquiridos. Deixámos de perguntar e recebemos famintos, esse prato frio que engolimos sem sequer sentir o sabor.
Sentido critico é algo que só exercemos em dias inspirados e na maior das intimidades, rodeados de um amigo ou dois, quase em segredo.
Desculpas como: “Não vale a pena”, “Para quê?”, “Não vai dar em nada”, “Ninguém liga” ...são servidas actualmente em bandejas de prata àqueles que governam.
Demitimo-nos da sociedade activa e somos cúmplices daqueles que inquinam as boas ideias e as deturpam para se encherem de tudo, prejudicando todo um colectivo demissionário.
Dizemos nós que somos activos? Somos a Sociedade activa, nós?
Porquê? Porque trabalhamos, pagamos impostos e até contribuímos para uma SS que não existe? Não somos nada a sociedade activa.
Sociedade activa é aquela que questiona em prol do conhecimento, é a que põe em causa o que nos vendem e publicitam, é a que reage, reclama, refila e grita injustiças!
Sociedade activa é aquela que exerce os seus direitos básicos, é aquela que acredita: Sou só um, mas tenho peso! É aquela que não cruza os braços, porque antecipa um fim nulo para a sua cruzada, só porque se deixa ser mais uma ovelha neste rebanho pessimista.
Sociedade activa é aquela que acredita e faz por acreditar que vale a pena, porque a alma (sim, a nossa alma Portuguesa) não é pequena.
Muitos de Vós, que me conhecem pessoalmente, sabem que sou completamente apartidária, mas nunca apolítica e jamais me demitirei da sociedade em que vivo e para a qual contribuo financeiramente. Não me interessa portanto, quem esteja no poleiro, quem governe, é meu dever participar neste país.
Se eles não fazem, eu faço! Se eles se esquecem, eu lembro-os! Se eles erram, aviso-os! Se acertam, felicito-os! Se não concordo, digo-lhes! Se tenho ideias, soluções, partilho-as com eles!
Eu não quero só poder votar para alguém ir para lá fazer qualquer coisa pelo meu país. Eu quero participar. É preciso fazer algo? Ok, eu faço também! E há tantas formas de o fazer.
Foi o que fiz quando me aliei a esta iniciativa da petição dos incêndios. Sei que não é a solução para o problema, mas pode ser um dos caminhos para o resolver, por isso, embora lá sugerir isto a quem de direito!
Tenho plena consciência que há imensos problemas para os quais também pus uma pala nos olhos e segui o rebanho, mas fico triste quando isso acontece. Lá isso fico!
Tinha que desabafar este estado de espírito.Mas já passa! Afinal, de que adianta gritar, não é? Ninguém vai ouvir! E mesmo os que ouvem, podem sempre dizer..."Ninguém te vai ligar nenhuma!"
Sábado, Setembro 09, 2006
Última hora

A Erika já é Mãe!
Ontem, ao fim da tarde, nasceram os seus três cachorrinhos. São lindos e vivaços. Um é todo branco, outro castanho com umas pintas pretas e outro todo preto.
A minha Princesa está emocionadíssima. Ri, chora, salta, está num turbilhão de emoções.
Abraça-a emocionada e diz: “Obrigada Erika, obrigada, és a maior!”
Sexta-feira, Setembro 08, 2006
Petição
Desenho de Paulo Guerreiro. (Um abraço que meu Irmão me deu!)(http://www.petitiononline.com/fiminc/petition.html
Obrigada a todos os que, nos seus blogs, estão a divulgar também este link! Assim, será num instante que alcançaremos o objectivo.
Quinta-feira, Setembro 07, 2006
Fim para os Incêndios - petição
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Limonada

Meus Amigos,
Hoje, nesta sala não se servirá como habitualmente o café (virtual), mas sim limonada.
Por favor entendam, mas tenho de dar vazão ao cesto de limões que minha Mãe me mandou da Beira Alta.
Lindo não é?
E para mim, tem um imenso valor, porque o limoeiro que nos ofereceu tão belo arranjo foi plantado por mim e pela minha Princesa há cerca de quatro anos atrás.
António Ramos Rosa
Não pude deixar de partilhar esta descoberta convosco e de vos aconselhar a ler este autor.
"Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas e montanhas cinzentas
Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração."
Teu Corpo Principia
Dou-te um nome de água
Obrigada Corvo...Branco ;-)
É a minha recomendação de leitura nesta quarta-feira!
Terça-feira, Setembro 05, 2006
Recuperação


Estou a recuperar bem.
Sento-me na minha varanda a que chamo o pequeno Triângulo das Bermudas e as dores vão desaparecendo .
Obrigada a todos pelo apoio e desculpem não atender o móvel, mas é dificil falar ...







