Titá à janela da alma

Terça-feira, Outubro 31, 2006

Hino ao sono



Cansada, esgotada,
não foi preciso muito
para que esse manto
me cubrisse,
me envolvesse .

Afoguei-me nessa bruma,
fiquei sepultada na escuridão
e senti um bocejar lento....
Fiz um hino ao sono...


E só o espreguiçar do Sol,
Consegiu acordar-me
para um novo dia.





Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.
Pablo Neruda (Últimos Poemas)
posted by Titá at 31.10.06 29 comments

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Antecipar o tempo, viver a vida ou começar de novo

O céu brindou-nos com sol, calor e um mar como há muito não sentia.
Será isto o afamado “Verão de S. Martinho”?

Ainda que não seja, porque não antecipar? Vivê-lo já, aproveitar o que o tempo nos dá e o que a vida nos oferece.

Sentir de novo os raios do sol a beijar-me a pele, a aquecer-me a alma, deu-me uma força interior, uma energia que há meses perdi e não via forma de encontrar.





A energia do mar, revigorante, aquele abraço salgado e fresco e o embalar quase uterino trouxe-me tranquilidade e alegria.

Consegui despir-me de medos, receios. Despi a roupa, perdi o calçado, deixei algures a mágoa e completamente livre, voltei a mim.
Sem rédeas.




Fim-de-semana extraordinário! Onde me reencontrei ou…renasci.


Ao "grupo" que me acompanhou e ainda não parou esta animação...Obrigada pessoal!
É certo que, já é segunda-feira e eu praticamente não vi a minha cama, mas valeu a pena !
E ela...até chama por mim. Feita de lavado e com lençois brancos e cheirosos, tal como eu gosto...
Humm, que sono!
Estou estoirada! Mas feliz!
Foi um antecipar o tempo, um viver a vida, ou um...
posted by Titá at 30.10.06 20 comments

Domingo, Outubro 29, 2006

Renasci



Soube bem este sol quente, que sem avisar, sem ninguém o esperar, voltou para nos aconchegar.

Aproveitei-o, como se minha vida dependesse de todos os seus raios e como se meu coração só voltasse a bater com a energia de sua luz.

Soltei o cabelo, perdi os sapatos e deixe-me ir.

Aqueci.

Renasci.

posted by Titá at 29.10.06 18 comments

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Grandes Portugueses

Agora todos falam e discutem em quem vão votar ou votariam, neste programa ( concurso) dos Grandes Portugueses.
Confesso que ainda reflecti no assunto e, até podia enumerar alguns, mas decidi que, a votar, votaria sem hesitação no Povo Português, no anónimo...Quanto mais não seja, porque estamos a precisar de alguma auto estima.
posted by Titá at 27.10.06 6 comments

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Portuguesices

posted by Titá at 25.10.06 17 comments

Terça-feira, Outubro 24, 2006

O sonho nas mãos de uma criança


Só queria abrir a janela e pôr as mãos lá fora para sentir a chuva!”

Dizia-me uma voz infantil, de um rosto de menino que há muito perdeu a criancice.

E abriu a janela! E pôs aquelas mãozinhas do lado de fora.
E ficou ali, com um sorriso franco, sossegado e com enorme expectativa no olhar, a sentir a chuva nas mãos pequenas...e sonhava!

Foi a imagem mais bonita que tive o privilégio de ver nos últimos tempos. Esta imagem trouxe-me paz, uma energia que me acompanha desde sábado e que me faz…não parar de sorrir.
posted by Titá at 24.10.06 10 comments

Sábado, Outubro 21, 2006

A Dádiva



Estou comovida com todo o vosso apoio, incentivo e carinho.Não consigo deixar de me emocionar com todos os Vossos e-mails, mensagens e comentários e por isso, hoje, olho-vos a todos como uma dádiva.
Uma dádiva que, de tão gratificante, criou laços profundos que me prendem aqui.
Talvez por isso, não consiga apagar este blog, como fiz com o “poesias”, mas também por isso, creio que está na altura de Vos dar uma explicação e apresentar um pedido de desculpas.
Neste último ano e meio deixei muito de mim aqui, abri meu coração, minha alma, apresentei-vos a mim, à minha família e a meus amigos sem qualquer pudor ou disfarce. Ao reler o blog não me arrependo de um só momento, de uma palavra. Em trezentos post’s sempre fui honesta e coerente. Sempre respeitei todos e soube receber bem os que me visitaram e orgulho-me de ter tido a capacidade de aceitar todos os comentários, os bons e os menos bons.
Todos já sabem que fiz este blog num acto inocente, quase ingénuo, convencida que só os amigos o visitariam, mas hoje são muitos mais os que por aqui aparecem e todos têm sido de um extremo carinho para comigo e a todos, eu entendo como uma dádiva.
Aqui firmei amizades, iniciei outras e até tive reencontros, mas nem por um momento suspeitei que também aqui, poderia ser vítima da mesquinhez e crueldade sem rosto que pode existir na virtualidade de um blog. Nos últimos tempos, fui sujeita, a situações muito constrangedoras e até, assustadoras, que me fizeram abanar de tal forma que desisti do blog. Jamais pude imaginar o quanto alguém, por detrás de um monitor pode magoar e ferir valores que respeito e que pratico e acabar por magoar-me tanto e aos que comigo estão.
Foi por esta razão que parei de escrever. Porque me senti ofendida e envolvida sem perceber, numa situação tão injusta quanto inesperada e com a qual não soube lidar, que criou em mim um sentimento de covardia e de desdém.
Eu sei que fui naif. Tenho falado com muitos amigos sobre este assunto e todos me dizem o mesmo: expus-me demais, porque em momento algum escondi aquilo que sou, que penso, que sinto e arrastei comigo, família e amigos.Por essa razão, foi fácil esse tipo de pessoas chegarem a mim, através de uma simpatia hipócrita. Foi fácil atrair a minha atenção e vontade de ajudar…daí até estar assustada e magoada foi um instante e o volume de loucura de tudo isto, fez-me desistir. Fui covarde, mais uma vez ingénua e por isso, peço desculpa.
Mas algo me foi prendendo. Sempre que aqui venho, as Vossas palavras fazem-me vacilar, hesitar na decisão que tomei e a dádiva de vossa amizade, do vosso apoio faz-me acreditar que não tenho motivo para virar as costas ao que de bom a vida me vai oferecendo.
Sobretudo não quero ser injusta. Uma só gaivota, não faz a Primavera. Todos Vós têm sido maravilhosos.
Por isso, achei que vos devia esta explicação, que escrevo ainda como um desabafo de dor, um grito de indignação, incompreensão.(Dêem portanto o devido desconto).
Deixo também um pedido de desculpa para a covardia de minha desistência, mas também a promessa de que volto. Posso não voltar já amanhã. Posso não voltar a ser tão espontânea no que escrevo, nem tão crente, mas volto, porque valeu a pena conhecer-vos e passar este tempo aqui. Olho para todos como uma dádiva. Olho para este blog como uma dádiva. A dádiva que me deu forças para mais uma vez acreditar que os momentos maus, são sempre, os antecessores da felicidade e se este blog me mostrou o pior, também me mostrou e trouxe o melhor. Sobretudo nesta exacta fase, em que me senti tão frágil e magoada, a vida surpreendeu-me com algo de maravilhoso, mágico, que já não acreditava ser possível acontecer, e …tudo isto, sempre acompanhado com a dádiva da Vossa amizade e com a constante explanação de Vosso respeito.
Vocês têm sido uma dádiva! E eu quero continuar aqui, perto de Vós!
Bem haja!

posted by Titá at 21.10.06 16 comments

Sexta-feira, Outubro 13, 2006



A pachorra, que Vocês tiveram para me ir lendo!
Obrigada.
Um beijo para todos.
posted by Titá at 13.10.06 12 comments

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

Um Amor à moda antiga - o fim

Capitulo 4 (O FIM)

- Mas que desculpa mais parva!!!! Mas alguém acredita nesta desculpa? Só se eu fosse tonta!Se calhar acha que eu estou apaixonada por ele e não me quis dar um desgosto! Ora, eu sempre soube que ele é bem mais velho que eu e nunca alimentei qualquer esperança. Que parvo! Eu devia era ter confiado na minha primeira impressão, ele é um arrogante armado em bom…. Balbuciava eu perante os olhos comovidos de minha Mãe.
- Filha…ele deu-te a maior prova de que gosta de ti e te respeita e eu e teu Pai estamos muito contentes com ele…
Caí no colo de minha Mãe a chorar e pela primeira vez admiti…
- Mas eu gosto dele…estou apaixonada por ele. E que interessa eu ter 17 ou 18 anos? Para ele vou ser sempre uma miúda.

As aulas na Faculdade começaram e a rotina SFRA/ Vermelhinho também. De vez enquando cruzava-me com o Tó. Cumprimentava-o o mais friamente que conseguia e ele sempre com distância, tentava saber todos os pormenores do que eu tinha feito ultimamente.
Sempre fui assim: nas horas dificeis isolo-me de tudo e de todos e ele soube respeitar esse momento.
Sempre que havia algo novo no TeatroDançando, ele aparecia e deixava sempre enormes incentivos. Eu, ia sabendo novidades da vida dele pelos amigos do grupo, que sem saberem de nada o que se tinha passado, comentavam livremente as suas aventuras.
Encontrava a Mãe dele sempre que eu ia á retrosaria de meu Padrinho dar uma ajuda. Ela ficava sempre a conversar comigo alguns minutos. Sempre atenciosa, carinhosa. Acabava por me dizer :
- O Tó ainda fala muito de ti. Tens que aparecer lá me casa um dia destes! Sabes que nós não vivemos cá. Só cá venho dar uma ajuda ao Tó…na casa…sabes como é? Se ao menos ele tivesse uma namorada que o ajudasse nisso!!!
E assim ficava no ar a ideia de que Tó não tinha ninguém… o que de alguma forma me confortava.

Os meses foram passando.
Cada vez que encontrava o Carmona, conseguia ser mais espontânea e sentia-o a ele, também mais solto e à vontade. Agora, mais madura, já conseguia perceber o interesse em seus olhos, o desejo enquanto me olhava. Já percebia seus comentários mais ousados, mas tentava de imediato afastar essa ideia…era impossível! Reconhecia, na forma como me falava e tocava ao de leve, uma enorme ternura… Pela primeira vez, senti que, tinha sido de facto infantil, por não ter percebido que ele podia até gostar de mim, apesar de ser bem mais nova e que, se calhar , até havia a possibilidade de ele ser um tipo à maneira antiga e preocupar-se com o facto de eu ser menor…mas logo me irritava comigo mesma e negava esse pensamento.
De qualquer forma, sentia um enorme orgulho de ser amiga dele e de o ter como amigo. Sentia que acontecesse o que acontecesse, o Tó seria daqueles que estariam sempre por perto e a quem eu poderia sempre recorrer. Sentia que, mesmo ao longe, gostava de saber como corria sua vida e gostava de velar para que tudo lhe corresse bem. E isso bastava-me!
Era o Pedro Russo, quem mais pormenores me contava.Era o Pedro Russo que contava pormenores de minha vida ao Carmona e trazia os conselhos deste.A Mãe e o irmão mas velho do Tó, tornaram-se visitas assíduas, o que de alguma forma me fazia sentir sempre parte integrante da vida dele.
Mas, mesmo assim, eu não alimentava qualquer esperança num hipotético futuro conjunto e nem fazia qualquer gesto para o conseguir. Pelo contrário, evitava espaços e horas em que nos pudéssemos encontrar.

O dia de meu aniversário depressa chegou e pela primeira vez, pude fazer a minha jantarada de anos no paplagui.Afinal, era a festa dos meus 18 anos. O grupo estava todo junto e obviamente animado, sempre com nossas cantorias e despiques. O Tó também foi convidado para esse jantar.
Quando saía de casa com Sónia e Sérgio, encontrámos o Tó à porta de meu prédio.
- Que fazes aqui?
- Vou falar com o Quim Paulo.
- Não vens à minha festa?
- Vou mais tarde. Primeiro tenho que resolver uma coisa aí em tua casa.
Fiquei parva, mas sabia que há muito ele e meu Pai tinham iniciado uma amizade. Trocavam discos e conversavam imenso. Segui meu caminho.
A noite corria animada, bem comida, bem regada. Estavamos eufóricos. Estava feliz por ter todos meus amigos juntos. Sentia-me bem comigo mesma.
Tó entrou no papalagui, sorridente , radioso...
- Parabés Titá!!!! Gritou.
Quase me pareceu bebado, mas sorri e ergui o copo.
Saltou para cima da mesa e todos refilaram..
- Então pá? Tás parvo....Agora pões-te em cima da mesa do pessoal?
- Desculpem, mas é a forma mais rápida de eu chegar ali à frente e dar um beijo de parabéns na minha miúda, na minha namorada!
As lágrimas não só corriam na minha cara, como na dele...e de quase todos os que ali estavam.
E assim se concretizou uma linda história de amor. Linda, maravilhosa, com um final triste, mas uma das mais belas histórias de amor que conheço e que Deus me permitiu viver...e pelo que sou eternamente grata.
Namorámos oito meses...enquanto a vida nos permitiu... Fomos muito felizes. Eu fui muito feliz e Tó costumava dizer: - "Nunca sonhei ser tão feliz quanto sou, porque não sabia que era possível sê-lo!" Ficava orgulhosa quando o ouvia dizer isto.E recordava sempre o Homem extraodinário que era e como me respeitou.Agradecia-lhe por isso.

Na passagem de ano seguinte, Tó perdeu a vida num acidente de carro.
O Pedro Russo ficou agarrado à heroina e hoje, é arrumador de carros na Amadora, mas ainda um de meus melhores amigos.
Eu? Eu...estou aqui, com todos meus amigos, sempre por perto ao fim de todos estes anos, com uma nova vida .. .
Quis partilhar convosco algo que me fez ser a mulher que sou hoje...e ..explicar-vos porque vivo momento a momento, porque nunca adio nada, porque nunca me deito zangada com alguém que ame e porque, sem na maior parte das vezes o querer admitir, receio sempre, entregar-me 100% a alguém.Talvez aqui encontrem alguma justificação para eu ser tão exigente com as pessoas com que me rodeio. Talvez aqui encontrem alguma justificação para eu ser também tão crente e achar que todo o ser humano está sempre de boa fé.
É que de facto, a vida ofereceu-me os melhores amigos que se pode desejar.
Bem haja!
Este amor à antiga aconteceu e por ser tão bonito e ter feito parte de minha vida e da vida de alguns que por aqui passam, deixo o registo.Este registo serviu sobretudo para meu Irmão saber pormenores de algo, que na altura, por motivos de força maior, não pode acompanhar.
posted by Titá at 12.10.06 51 comments

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Um Amor à moda antiga 3

Capítulo III (está quase)

Enquanto caminhava lado a lado com o Carmona, dizia a mim mesma, que não havia razões para me sentir tão nervosa a seu lado. Ele era simpático e educado e até minha Mãe tinha gostado dele. Gostava do humor dele, do seu sentido crítico e tínhamos imensas coisas em comum.
Fomos almoçar ao papalagui, no Parque Central. Nem tentei explicar-lhe que tinha outros planos. Deixei-me ir.
-Titá, nós não começamos muito bem, pois não?
- O que queres dizer com isso?
- Quero dizer que todos me dizem que és uma miúda porreira, animada, alegre. Que és atinada, mas sempre na boa com todos. Sei cenas que tu fizeste, viveste e no entanto, comigo, sempre foste tímida, fechada, inibida e ás vezes..bem…roças o antipático,admite!
- Desculpa, acho que tens razão…eu...bem…
- Eu sei que a culpa foi minha! Quando te vi na minha sala, achei-te muito gira e muito delicada e fiquei parvo para perceber o que uma miúda como tu fazia com o Russo.
Depois quando percebi que tu é que eras a Titá, ainda mais parvo fiquei. Quase decepcionado..afinal as miúdas são todas iguais e deixam-se ir em lábias não é?
- Pois, eu…senti que foste um tanto ou quanto arrogante. Isso também me surpreendeu, porque eu também já tinha ouvido falar de ti e todos me dizem que és porreiro, mas senti algo estranho na tua casa….também ter sido assim, apanhada por lá, sem me conheceres, deixou-me sem jeito.
Pedro é porreiro Tó, a sério que é. Não existe nada entre nós, mas gosto da companhia dele.
- Pouca gente me chama de Tó, mas gosto de o ouvir na tua voz. Sim, eu sei que Pedro é porreiro, por isso o deixo viver lá em casa…mas não é gajo para tu andares, mas se me dizes que não andas com ele, fico com outra imagem de ti, sem dúvida…
Pedro também me disse que tu nunca quiseste nada com ele e que apesar de saírem muito, sempre soubeste por limites.
- E isso que te interessa?
- Não interessa…só quis explicar porque tive aquela reacção contigo na minha casa e…bem…fui injusto Titá. Desculpa!
- Que tal começarmos a conhecermo-nos agora, a partir do zero? Ou seja, esquecer tudo aquilo que já ouvimos um do outro…
- Ora aí está uma boa ideia. Olá…eu sou o Carmona (esticou a mão por cima da mesa), e tu?
Rimo-nos à gargalhada solta e ficámos horas na conversa.
Cheguei em cima da hora da estreia. Só tive tempo de mudar de roupa e entrar em cena. Correu bem! Foi um espectáculo, e até hoje, a peça que mais gozo me deu participar.
Eu e Tó não nos largámos mais. Eu estava de férias do Liceu e ele da Faculdade e, apesar de ele também trabalhar, conseguia sempre tempo para nos divertirmos juntos.
Saíamos todos os dias. Teatro, cinema, exposições, concertos. Começamos a parar menos no vermelhinho, pois Tó adorava estar no Gungas, mas quer num sitio, quer no outro estávamos sempre juntos. Aos Sábados cozinhávamos o almoço em casa do Tó, juntamente com Russo e com a Cristina, a namorada que Pedro entretanto tinha arranjado e com a qual eu me dava super bem. ficávamos horas à mesa.
Fomos ter com a Sónia, Fá e com a Paulinha à Lagoa de Sto André e passamos 15 dias fantásticos. Regressámos e fomos todos para as Azenhas do mar, onde já tínhamos casa à espera…
Um dia Tó corria pelas escadas das azenhas na brincadeira com a Fá, caiu e torceu o pé. Aflito com dores disse-me
- Titá, toma as chaves de meu carro e leva-me ao posto da Praia das Maçãs.
prontamente, respondi,
-eu levo Tó, mas eu ainda nã tenho carta. Corres esse risco?
- Como não tens carta?
- Claro que não…só posso tirar para o ano, só tenho 17 anos.
A cara de Tó transfigurou-se, ficou branco, e a voz alterou.
Chamou a Sónia e durante toda a tarde pouco me falou.
Achei que seria das dores. Não podia ser de mais nada.
No dia seguinte acordei para o pequeno almoço. Apareceram todos na cozinha excepto o Tó. Quando perguntei por ele disseram-me que tinha voltado para casa. Fiquei de rastos.
Durante dois ou três dias liguei para casa dele e nunca ninguém me atendeu. Estava preocupada e confusa. Queria saber como estava o pé partido, mas também a razão de sua fuga repentina. Fiquei louca e comentei isso com Sónia.
- Titá , o Carmona sempre achou que eras maior de idade.Sabes a idade dele?
- Mas eu nunca lhe disse que era maior!
- Pois não, amiga, mas ele…achou que eras… pela tua forma de ser..
- E por não ser, já não pode ser meu amigo? Tenho que tirar isto a limpo.
- Titá não sejas naif, o Tó não olha para ti como uma amiga….mas…
Nem esperei pelo resto da conversa, peguei na mochila e apanhei o eléctrico para a Vila. Voltei para casa. Nesse mesmo dia, fui bater à porta de casa do Tó.
Abriram a porta de baixo o que me deixou animada. Ele estava em casa! Finalmente iríamos falar, esclarecer tudo.Subi as escadas a correr, de dois em dois degraus e quando, ofegante cheguei à porta, achei que o mundo desabafa: Uma senhora de idade sorria enquanto segurava a porta.
- Boa tarde…o Tó está?
- Não..ele saiu com um amigo.
- Ah…eu…precisava tanto falar com ele. Sabe onde posso encontrá-lo?
- bem…eu…
- o Tó está melhor do pé?
A senhora olhou atentamente para mim, curiosa, fitava cada pormenor de minha cara, de meu corpo ainda ofegante de subir as escadas naqueles propostos. Arrependi-me tanto de ter levado aquelas calças rasgadas! e…
- Tu é que és a Titá?
- sim, sou…corei
- Tó tem razão..és uma Princesinha. O Tó foi ao café do gungas… vai lá ter.
- Obrigada…eu vou
Ela tirou a cabeça para fora da porta, tocou-me na mão, e disse baixinho enquanto me deixava um beijo na face.
- Conversem !
Corri para o gungas. Quando avistei o café, reduzi o passo e tentei recompor a respiração. Entrei calmamente e olhei-o o nos olhos que espantados me fitavam.
- Tó, temos que falar. ... mas ele nem me deu tempo…
- Titá…eu …desculpa, eu estou apaixonado por ti. Não dessas paixões corriqueiras. Estou mesmo louco por ti, mas tu és menor e …enquanto o fores não te toco com um só dedo. O que é impossível de cumprir estando perto de ti, por isso…prefiro não te ver. Depois voltarei um dia..lá para Abril.
E, antes que eu me pudesse sentar, Tó levantou-se e desapareceu.
(depois continuo...sim, ainda há pelo menos mais um capítulo)
posted by Titá at 11.10.06 11 comments

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Um Amor à moda antiga 2

Capitulo II

O pessoal já nos esperava. Cantarolavam como sempre e faziam desafios uns aos outros. Entre um fado e uma música do Zeca Afonso, lá consegui sentar-me entre o Zé Manuel e o Sérgio, com a Sónia e a Paulinha pela frente…era o meu quarteto de paz.
Meio em segredo, comentei com Sónia que tinha conhecido finalmente, o badalado Carmona.
- Sim? E que tal, é muita porreiro não é? Gosto muito dele, e é um pão!
- Oh Sónia, não achei nada. Achei-o arrogante e empertigado. É certo que também fui uma parva, mas ele tem a mania…a esta hora deve achar que sou uma miúda tola…deve achar que sou uma antipática... uma parvita...
- Olha Titá, ele até pode ter achado isso tudo, mas parece que quis repetir a dose, pois ele que raramente vem aqui, acabou de entrar.
De facto, Carmona tinha acabado de entrar com o Gungas.
Gungas era um outro amigo nosso, que tinha um café no Largo da Igreja, onde morava o Carmona e ao qual eu achava imensa piada. Sorri para o Gungas e acenei, mas senti que chão desaparecia quando o meu olhar se cruzou com o do Carmona, que olhava fixamente com um sorriso malandro e altivo. Não respondi, fingindo nem ter reparado na sua presença. O que era uma missão impossível, pois Carmona era bem disposto, animado e tinha um timbre de voz alto que ecoava pela pequena sala onde jantávamos.
João Nuno desafiava-me para cantar a Sra. do Almortão ou o Sr. da Pedra, da peça que tinha ido assistir ao Liceu que eu frequentava e eu, encavacada só queria sair dali…mas era o aniversário dele, e eu adoro o João Nuno..lá lhe fiz a vontade.
Com a ajuda de Sérgio cantarolamos as músicas do grupo a que ambos pertencíamos e quase corremos a opereta toda onde ambos representávamos.
Com a desculpa de já estar cansada e com sede, consegui voltar para meu lugar, onde, irritantemente estava sentado o Carmona, que segredava algo com o Zé Manuel e com a Sónia. Pensei em ir sentar-me noutro local, mas Zé Manuel viu-me e chamou-me.
- Titá, senta aqui no meu lugar que eu vou lá fora com o Sapo.
- Tentando controlar o mais possível a minha postura sentei-me ao lado do Carmona, tentando ignorar a sua presença, mas em vão.
- Quer dizer que além de seres a irmã do Guerreiro, a miúda do Russo, de seres linda e simpática, também cantas?
- Eu não sou a miúda do Russo!
- Não? Então és a miúda de quem?
- Não sou a miúda de ninguém…sou eu, a Titá! Disse com um ar de gozo e irónico, arrependendo-me no mesmo instante de ter falado naquele tom.
- Ah! mas isso é óptimo…seres tu e só tu. Excelente! Mas és também meia indígena, não és?
Voltou-se para Sónia e Sérgio e continuou a falar de exposições e músicas e concertos, animadamente. Fiquei atenta. Gostava da sua forma de falar, gostava das mesmas coisas que ele, ouvia as mesmas músicas, queria fazer as mesmas viagens, entendia perfeitamente o que ele falava de seus estudos e do trabalho, mas não fui capaz de, em toda a noite, emitir um único som, uma única palavra.
De quando em vez, ele olhava para o lado, fitava-me nos olhos e sorria ternamente.
- Sónia é tarde, acho que vou para casa. Como sempre Sérgio que morava perto de mim, levantou-se prontamente para nos acompanhar.
- Calma miúda, a esta hora não vais sozinha…eu levo-te! Disse o Carmona
- É pá isso era porreiro oh Carmona! Dizia a Sónia ao mesmo tempo que eu dizia
- Deixa estar obrigada, não é preciso, moro perto e Sérgio vai connosco!
- Não me custa nada…estou cansado de estar aqui…eu levo-as!
Subimos a rua em silêncio. Sérgio pressentiu que eu estava incomodada e Sónia não percebia, nem reconhecia meu comportamento.
- Titá, não és de muitas falas, mas gostei de te conhecer. Já tinha ouvido falar de ti. O pessoal gosta muito de ti e sou amigo de teu Mano Guerreiro!O Russo também não se cala com as vossas aventuras. Aliás, ele disse que tinhas uma estreia de teatro em breve. Será que me convidas para assistir? Gostava de rever o Pité.
- Conheces o Pité? O Encenador?
- Sim, foi meu Professor no Liceu.
- Também é meu professor…de sociologia e é ele que está a ensaiar esta peça. O Pité é excelente e a peça é fantástica. É uma opereta popular, não sei se Pedro te disse… Chama-se O Reginaldo. Calei-me de repente, admirada por ter falado tanto e me ter sentido pela primeira vez à vontade com ele.
Carmona sorriu, como se tivesse adivinhado exactamente meus pensamentos.
- E então? Estou convidado? Perguntou baixinho
- Já não tenho aqui convites, mas aparece… obviamente que te deixamos entrar.
-Não…. Eu venho buscar-te e vamos juntos para lá …xau!
E desapareceu!
Durante uns dias pensei neste episódio e como ele era arrogante em achar que apareceria assim, para me levar até à SFRA. Nem lhe tinha dito o dia da estreia, mas as aulas decorriam, os ensaios gerais também e eu andava numa azáfama tal, que acabei por esquecer o assunto e o Carmona.

No dia da estreia estava obviamente nervosa, mas ao mesmo tempo sentia, dentro de mim, que tudo iria correr bem. Além disso era o último dia de aulas e eu estava animadíssima com a aproximação das férias e da concretização de todos os planos que o pessoal arquitectava.
Quis sair cedo para a SFRA. Almoçaria mesmo por lá, assim teria tempo de relaxar na companhia do pessoal e combinar os últimos pormenores com Sérgio.
Vesti-me calmamente. Ouvi tocar á porta, ouvi minha Mãe rir, ouvi-a falar animadamente, mas nem pensei que fosse visitas para mim.
- Mãaa…. Vou indo para a SFRA. Vê lá se chegas cedo para teres lugar à frente do Teatro.
- Espera, tens aqui um amigo que te veio buscar..e dá-me um beijo por favor, antes de saíres de casa.
Pensei que era o Sérgio e entrei na sala aos pulos, saltitando e cantarolando.
- Fiquei sem ar, corada, a ferver.
- Olá!!! Mas que animada! Ficas sempre assim em dia de estreia?
- Que fazes aqui?
- Eu? Vim buscar-te, para te levar para a SFRA. Foi o que combinamos, não foi?
- Humm…sim…combinámos qualquer coisa sim, mas…
- Então vamos….

Já perceberam, não já? Era o Carmona!
(Depois continuo...)
posted by Titá at 9.10.06 20 comments

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Um Amor à moda antiga

Primeiro Capítulo
No outro dia, comentava com alguém, algo assim:
-sabes que sempre fui atinada, a minha maior loucura foi namorar com o Pedro Russo!
Rimo-nos e à memória vieram dezenas de imagens de momentos únicos.
Não sei bem porque dei este exemplo, mas fez-me recordar uma série de episódios, que sem qualquer pudor, resolvi contar aqui. Quero que fique em registo, naõ quero esquecer e por isso, resolvi também publicar aqui.
Na verdade, eu nunca namorei com o Pedro Russo. (ehehe, agora estão todos de boca aberta, não é?)
O Russo, foi um flirt, alguém que acabou por me conduzir até uma enorme paixão, essa sim, completamente assumida em namoro, com um dos Homens mais extraordinários que conheci.
O Russo era o gajo giro do grupo, mas também o menos desejado por todos.
Com cara de anjo, pele muito branca, cabelos loiros e encaracolados e uns olhos verdes profundos, era também o “pintas”, aquele que dava a tanga a todos e endrominava meio mundo.
Ele tocava saxofone na banda da filarmónica e era na sede da SFRA que eu ensaiava as peças de teatro do “Teatrodançando”. Como parávamos no mesmo café, e pertencíamos ao mesmo grupo, saíamos muitas vezes juntos, percorrendo o caminho entre o vermelhinho e a SFRA e vice – versa. Daí, a todo o pessoal do grupo, pensar que tínhamos algo, foi um instante e, protectores como sempre, lá vinham com a lenga lenga:
- Titá, tu não andes com o Russo pá! Não é gajo para ti!Tu tem cuidado!
Kajó e Zé João punham o seu melhor ar sério e paternal e lá me azucrinavam a cabeça.
Eu, rebelde, nunca desmenti, nem afirmei. Limitava-me a sorrir e dizer:
- Não te preocupes, o Pedro é porreiro! E ria.
Pedro começou a achar piada a tudo isto e sendo tantas vezes posto de parte por alguns desses elementos, achou piada ao receio que sentiam e alimentou da mesma forma esta fama. O facto de ser a minha companhia, permitia-lhe aceder a eventos no grupo, que de outra forma lho esconderiam. Nunca o escondeu, e a mim, nunca pareceu mal.
Ríamos com tudo isto, pois de facto nunca tivemos nada um com o outro. Havia um flirt no ar é certo,mas não passava disso. Tinha plena consciência que não queria nada com ele, e da mesma forma, Pedro também não tinha qualquer interesse. No entanto, gostávamos de conversar um com o outro, das brincadeiras que tínhamos e era agradável ter a companhia um do outro no percurso que fazíamos todos os dias.
Pedro falava muitas vezes do amigo que lhe tinha alugado o quarto onde vivia. Falava com respeito e admiração. Da mesma forma, todos os outros elementos do grupo contavam aventuras vividas com o Tó Carmona. Eu não o conhecia. Era daqueles que só aparecia a horas mais tardias, raramente durante a tarde ou mesmo logo após o jantar, e que eu, por ser a mais nova do grupo e ter horários a cumprir, nunca encontrava.

Um dia, sendo o jantar de aniversário do João Nuno e obrigatoriamente irmos ter uma noite longa lá para o Alentejano, Pedro pediu-me para ir com ele a casa buscar um casaco para o proteger dessa noitada que se adivinhava "dolorosa".
Fui!
Junto ao Largo da Igreja, num primeiro andar, vivia o Pedro. A casa era do tal amigo, o Carmona, que todos falavam e que eu não conhecia. Uma casa enorme, que apesar de ser dividida por dois rapazes, se mantinha limpa e arrumada. Tinha plantas estranhas ;-), um papagaio com ar de mau e havia no ar um teimoso aroma de haxixe.
O Pedro que trabalhava de noite, na distribuição do Correio da Manhã e ainda não se tinha deitado, acabou por ir tomar um banho e mudar de roupa. Pediu-me que esperasse numa salinha pequena que ficava entre o quarto dele e o quarto do tal Carmona.
- Se quiseres põe música, fica à vontade que eu não demoro.
Tinham discos espectaculares, que eu admirava, alguns que já tinha ouvido falar, mas que não tinha ouvido, mas não me senti à vontade para mexer em nada e limitei-me a sentar e a ficar a folhear um livro que estava sobre o pequeno sofá de pele.
Senti o barulho de uma porta a bater e uns passos. Achei que era Pedro, que afinal se despachava mais do que eu supus, mas de repente, à porta dessa sala, apareceu um homem altíssimo, com o cabelo negro encaracolado, ar moreno, olhos brilhantes por detrás de uns pequenos óculos redondos e um sorriso franco.
-Olá!
- Olá ! Respondi com ar encavacado.
- Estás cá com o Russo?
- sim, estou à espera dele…
- E tu és quem? A Miúda dele?
- Não, sim, não eu…bem…sou amiga do Pedro. Nós vamos sair hoje e Pedro quis vir trocar de roupa…estou á espera dele.
Ele sorriu, quase com um ar enternecido pela minha infantilidade e nervosismo.
- E não tens nome, portanto….
Virou as costas e desapareceu.
- Uau!!!…este é que deve ser o Carmona. Que tipo! Figura imponente! Fiquei tão encavacada…que figurinha a minha. Só queria sair dali para fora e Pedro não havia meio de aparecer.
Podia ir bater à porta do quarto e pedir para se despachar, mas não queria sair da sala e correr o risco de voltar a cruzar-me com aquele homem, além disso, sentia que chegar perto do quarto do Pedro seria igualmente um risco, que eu não queria correr…tem muita lábia aquele Russo!
Finalmente, Pedro apareceu no seu blusão de cabedal, com muito melhor ar e super animado:
- Bora!
- caramba Pedro, que demora! Deixaste-me aqui sozinha e…ao menos podias ter dito que teu amigo podia aparecer, sempre estaria mais preparada ou mesmo nem vinha cá cima, que cena marada!
- calma Titá! Que foi? Carmona chegou, foi? Mas ele não malcriado contigo pois não?
- Não Pedro, mas eu fiquei sem jeito…afinal a casa é dele, chega e encontra-me aqui sentada sem me conhecer de lado nenhum e eu…bem …fiquei tão atrapalhada..
-isso resolve-se!
Sem que eu pudesse continuar a refilar, Pedro agarrou-me na mão e puxou-me por um corredor fora, entrando na cozinha de rompante.
-Carmona, chegaste meu! Tas fixe! Olha esta é a Titá, vamos sair ..queres vir ?É o aniversário do João Nuno!
- Ah tu é que és a Titá!!!
Não gostei do tom dele, nem gostei da forma como me olhou de alto abaixo.
- Já tinha ouvido falar de ti!
- ah sim! E tu és quem? Perguntei empertigada, já farta de saber que aquele, só podia ser o tal Tó Carmona
- Eu sou o Carmona! Tu é que és a irmã do Guerreiro né? Agora já sei porque nem todos têm o privilégio de a conhecer… riu-se enquanto piscava o olho a Pedro.
Pedro não gostou. Por alguma razão não gostou e voltando a puxar-me pela mão como se eu fosse uma marioneta, disse:
- Pois, não é miúda para ti. Xau …aparece no alentejano se quiseres…
Quando saímos, antes que eu pudesse continuar com meu mau feitio e despejar o meu nervosismo em cima do Russo, ele disse:
- Titá, Carmona atinou contigo, …ele já te filingou
- Já o que? Perguntei eu incrédula
- Não interessa…ele é muito mais velho que tu…só estou a dizer para não dares confiança. Se o pessoal te massacra por saíres comigo, matam o Carmona se tenta tocar-te num fio de cabelo.
Ainda tentei resmungar qualquer coisa, mas senti o Pedro tão crispado que achei que não valia a pena. Só queria sair dali e respirar ar puro, libertar-me daquele ar viciado e esquecer a figura triste que tinha feito.
posted by Titá at 6.10.06 20 comments

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

A República e a Ericeira


A 5 de Outubro de 1910 implantava-se a República em Portugal. Assim se comemora mais um feriado.
Por essa razão, resolvemos passear pela Ericeira e mostrar à minha filha e aos meus sobrinhos o local de onde a família Real de então, partiu para exílio.Tentámos explicar, com o maior número possível de dados, este facto histórico, sem descurar algum romantismo para captar a atenção dos três "pestinhas".
Ajudados por velhos pescadores que descansavam no pontão, ouvimos as versões mais fantásticas e exageradas dessa partida da familia real.
Estou certa, que nenhum dos três se esquecerá jamais, o que se comemora no dia 5 de Outubro.

Ericeira é uma zona muito agradável, que procuro visitar com regularidade, até porque tenho amigos que moram nesta vila. Além disso, sou fã incondicional dos mariscos e peixes frescos e do pão saloio oferecidos nesta região.
É uma Vila muito antiga, presumivelmente local de passagem e instalação dos fenícios.O seu primeiro foral remonta ao ano de 1229, concedido pelo Grão Mestre da Ordem de Aviz, D. Frei Fernão Rodrigues Monteiro, reformado pelo Rei D. Manuel I, em 1513. A população, noutros tempos constituída na generalidade por gente do mar, formou, durante muitos séculos, um grupo étnico-geográfico, denominado jagoz , diferenciado dos restantes habitantes da região saloia. A Ericeira conheceu no século XIX, a sua época áurea, enorme incremento, sendo o porto mais concorrido da Estremadura, com Alfândega, por onde se fazia o abastecimento de quase toda a Província. O embarque para o exílio da Família Real Portuguesa, episódio que assinala o termo do Regime Monárquico Nacional, fará sempre do Porto da Ericeira um dos locais mais dramáticos da geografia do Concelho de Mafra.
As praias e os pesqueiros, bem como o património monumental e o gastronómico, com base numa variedade de peixes e mariscos, constituem os seus maiores atractivos.

Acabámos o dia cansados de tanto caminhar nas pequenas e íngremes calçadas da Ericeira, e da intensa visita a todos os locais de artesanato em barro que se espalham pela vila, mas visivelmente satisfeitos.
Numa enorme mesa virada para o oceano, apreciámos o pôr de sol, enquanto nos lambuzávamos com peixe fresco e marisco variado, que só os Viveiros do César sabem oferecer com esta qualidade.
E assim se passou mais um feriado!
posted by Titá at 5.10.06 7 comments

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Irmãos de Guerra

Meia noite! O Telemóvel toca! Do outro lado, uma voz que conheço bem e que me traz sempre conforto e sensação de protecção:
- Mana?!?
Falámos muito, muito tempo. Rimos, comovemo-nos, recordámos, fizemos planos futuros, promessas e juras. Afirmámos quem somos como pessoas e o que significamos um para o outro.

Frases sábias, de conforto e de incentivo. Frases soltas

- Nunca foste de te calar! Nunca deixaste cortar tua liberdade!
- Não podemos permitir que essa liberdade nos seja cortada!
- É por ti que o faço..
- É para ti…

Amigos, peço desculpa por esta minha ausência. Há momentos em que temos que nos encontrar com nós próprios para definirmos um caminho.

Volto!
Volto diferente, com novas aprendizagens e uma bagagem mais pesada.
Volto com outro ânimo e novos objectivos.
Continuo aqui para todos aqueles que me são queridos e que por força das circunstâncias estão longe fisicamente. Foi por esses que inaugurei esta sala.
Estou cá para os que não conheço pessoalmente, mas que agradavelmente me visitam e bebem por aqui um café virtual, deixam recados, alimentam tertúlias e criam laços.
Tinha saudades, confesso.
Nem me tinha percebido do quanto senti a V. falta.
É bom voltar!



posted by Titá at 4.10.06 9 comments