Titá à janela da alma

Sábado, Dezembro 30, 2006

SOU COMPLETAMENTE CONTRA A PENA DE MORTE.
SEJA ESTA APLICADA A QUEM FOR E PELOS MOTIVOS QUE FOREM.
ACHO AINDA INCRIVEL QUE PASSEM EXCERTOS DE IMAGENS DE UMA EXECUÇÃO NAS TELEVISÕES NACIONAIS EM HORÁRIO NOBRE.
ESTAMOS NO SÉCULO XXI E NÃO QUERO QUE MINHA FILHA VEJA ESTE TIPO DE ACÇÕES E CRESÇA NUM MUNDO ASSIM.
Saddam era um ditador sanguinário, merecia o maior castigo, mas fazer pagar crimes com um outro crime sob a alçada de uma "lei"e de um "julgamento" e fazer disso uma bandeira hasteada como exemplo, divulgando excertos de imagens para todos verem, faz-me recuar séculos de evolução e sentir que caminhamos para um mundo medonho, sem norte, sem escrúpulos...total escuridão.
posted by Titá at 30.12.06 13 comments

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

War is Over in 2007 ( vamos acreditar)

Sim eu sei, que nesta altura do ano é suposto deixarmos palavras animadoras e de confiança para os tempos que se avizinham. É ainda hábito fazermos votos de sucesso, felicidade, saúde e por aí fora e não, eu não quero fugir à regra e por isso fiz o post anterior, mas quero também deixar este vídeo como alerta.

Será um alerta de imagens que não queremos ver repetidas em 2007 e um pedido, para que cada um de nós acredite que, por pouco que seja, pode fazer muito por este mundo que é nosso e tentar, de uma forma ou de outra, aliviar a dor, o sofrimento em nosso redor.

Ajudar, nem que seja a uma só pessoa, já vale a pena se cada um de nós acreditar que pode mudar a realidade actual.
Os votos que faço para 2007 são, para além de todos aqueles que tradicionalmente desejamos, são que em Dezembro de 2007 não existam tantas imagens como estas para mostrar.

Vamos todos desejar que 2007 seja um ano de paz e todos prometer que faremos sempre algo, por pouco que seja, para melhorar este mundo que é nosso?
Happy Xmas (War Is Over) - John Lennon
posted by Titá at 29.12.06 4 comments

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

última hora...telegráfica

Sóninha já saiu do Hospital.
Está em casa,ainda em recuperação, mas cada dia que passa melhor, com mais força e animação.
Obrigada a todos pelo apoio, pela força e pelas Vossas orações.
Por mim, fazia aqui um post potente com esta boa nova,mas Sónia de repente quis ser discreta e pediu para não fazer nenhum "estrondo" ( palavras da própria), por isso fica aqui..uma espécie de telegrama...
posted by Titá at 20.12.06 2 comments

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Osteoporose nas palavras


De vez enquando volta! Uma espécie de osteoporose nas palavras, um entorpecimento, uma inércia, uma preguiça, um silêncio.

Não há motivo aparente ou então há tantos motivos que nem sei por onde começar a assumir. Acredito que são fases. Fases em que não há motivação ou inspiração para escrever o que quer que seja. Esta altura do ano, por qualquer razão que desconheço, é propicia ao silêncio nos blogs. Eu não sou excepção. Não sei sobre o que escrever, nem o que dizer. Não ando triste, nem preocupada, mas ando sem inspiração e as palavras saem de uma forma entorpecida, sem nexo ou sentimento.
É como se fossem palavras sem som, silenciosas...ou melhor, palavras sem cor.

Costumo chamar a estas fases de osteoporose nas palavras e como é hábito nestes post’s, deixo em aberto para que os meus visitantes, que costumam beber um café virtual comigo, me digam de sua justiça: que lancem temas, façam sugestões, criticas, deixem mensagens, desabafos, gritos.Eu vou andando por aqui, atenta.

Beijinho para todos!
posted by Titá at 19.12.06 9 comments

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Chamava-se Eduardo


Fotografia de Tiago Mota Saraiva



Aqui era a sua casa. Arrumava-a e defendia como todos fazemos com as nossas.

Nós, éramos os vizinhos estimados, que cumprimentava diariamente com um sonante e sentido Bom dia!!!

Chamava-se Eduardo e para sempre, nas nossas memórias, apesar do vazio daquela escadaria ecoará um cumprimento diário com sotaque do Norte.

Bom dia Eduardo!
Bom dia ...para sempre !

posted by Titá at 13.12.06 16 comments

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Vazio

Há uns meses atrás falei-vos do Senhor Eduardo, o sem abrigo que vive nas escadas do edifico onde trabalho. Era o meu protegido, confesso. Dos muitos que deambulam por aqui, este era aquele por quem eu nutria mais respeito e carinho.
Faleceu hoje!
Há uma semana atrás sentiu-se mal, e a solidariedade incontestável da minha Presidente, Arquitecta Helena Roseta, conseguiu que fosse enviado para um hospital e recebesse o merecido tratamento e conforto. Ao menos isso, nos seus últimos dias...
Hoje deixou-nos!
Ficam aquelas escadas, um vazio...já não se ouvem as músicas trémulas do rádio a pilhas e já não sou recebida por aquele sorridente e estrondoso: - "Bom dia, estás boa??"
Ficam as escadas ...e um vazio.
Reedição: Vazio
"- Oh…hoje, estou naqueles dias…Vazio…percebes pá?
- Vazio??? (sorrio e pergunto)
- Sim…momento vazio.Que angustia, mas que conforta,porque o vazio pode ser a forma mais simples de amar o silêncio, sem uma só palavra.
(literalmente de boca aberta, olhei-o fixamente nos olhos. Percebi que queria falar. Fiquei.)
- Vazio no receber,quando me dás e sinto nada receber.Vazio no dar,quando te dou e sinto um não perceber.Vazio no estar,quando estou, mas já vou a viajar.Vazio no ser,quando penso que sou, mas só estou a sobreviver.- Há momentos vazios. De levitação… (ri alto)
- Ou de Solidão? …. (pergunto-lhe)
- Solidão é uma palavra moderna….Quando era novo, e vivia em Ovar…diziam: “ele vai vazio!” (ri alto)
- Não gosto da palavra solidão! Não é uma palavra portuguesa, como a palavra saudade!Gosto de Vazio!
Há momentos vazios,Em que se abre uma mão com o intuito de oferecer,mas nada ter…Nem o coração. Momentos assim já são por si só…preenchidos!Não dar, mas saber que não dás, porque estás vazio, já é dar…É dar um estado de estar, de viver, de ser.É dar a consciência de se estar …vazio!- Afinal o vazio…É só uma forma de amar o silêncio…Ai o silêncio... (suspirou)
(Estava na hora de o deixar só…subi as escadas devagar e a sorrir)
Este texto foi escrito no seguimento de uma conversa com o Sr. Eduardo. (O Camilo para alguns outros)O Sr. Eduardo é o sem abrigo que vive há 11 anos nas escadas da entrada do edifico onde trabalho. Não mendiga, não pede. Cumprimenta e protege quem gosta, ignora ou grita com quem não gosta…diz que pressente quem é bom e quem é mau naquela casa.
- “Conheço-as bem!”
Sabe o horário de cada um de nós. Percebe se chegamos felizes, ou com peso nos ombros … tem sempre algo a dizer.
O fim-de-semana é para sentir a nossa falta…tem saudades.
-“Já vais embora???”
Não aceita esmolas, muito menos dinheiro. De vez enquando lá me crava um cigarrito…
- ”O Exército trata de mim…vêm cá todas as semanas”.(refila orgulhosamente com a cabeça erguida atirando para trás uma madeixa de cabelo branco…)
Vive ali! Com o seu pequeno rádio, sempre a tocar…Não gosta de noticias. Gosta de música…toda a música.Recorda, revive e sofre intensa e diariamente os momentos que protagonizou numa guerra no ultramar. Uma guerra que ainda não entende, que não quis, nem pediu, mas que viveu.As marcas são visíveis. Viveu-as na pele, no corpo e na alma. Alma essa que, de tanta marca proibiu-o de regressar à família, …
- ”que vive do mar…algures, uma mulher e três filhas…já mulheres…se calhar já tenho netos…” (ri alto) ”mas eles já não vão lutar … se quiserem, já não vão…pois não???” (fica triste)
É o sem abrigo mais castiço e simpático do Cais do Sodré e que por viver no seu vazio consciente, é o que mais oferece de si mesmo.Quem com ele partilhe momentos que de vazio nada têm, mas que são sim, os mais repletos de lições, emoções e sentimentos, regressa preenchido e repleto de tudo.Meu coração hoje ficou apinhado…inchado de muito…para dar…até quando me sentir…num Vazio!
Obrigada por tudo, Eduardo!
posted by Titá at 11.12.06 17 comments

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Natal Diferente

O Natal está à porta e com este, a família reunida, a cozinha, as cidades enfeitadas, a magia das luzes, o sonho e o desejo no olhar das crianças.
Mas, nas ruas, nas prisões, em residências temporárias, há pessoas que não têm Natal como nós o conhecemos. Porque a vida lhes trocou as voltas, alguns já perderam a esperança.
No entanto, há formas de os ajudar, não só nesta altura do ano, mas sobretudo agora e de lhes aliviar a falta de uma família reunida e de conforto ou aconchego. Assim, deixo aqui umas dicas:

O que podemos dar?
Para as instituições que têm crianças a seu cargo: Papas, fraldas, toalhitas, sampoos, alimentos, brinquedos, livros infantis, roupas.

Revistas, mesmo as que não têm utilidade e livros para enviar para os países africanos de expressão portuguesa.

Donativos para Instituições de caridade ou apoio social.
Alimentos e roupas, bem como cobertores ou sacos cama para todas as instituições


Deixo o contacto de algumas Instituições de solidariedade, onde podem fazer um donativo em dinheiro, bens ou dar algumas horas do vosso tempo:

- Legião da Boa vontade
21 715 48 90
- Ajuda de Mãe
21 382 78 50
- Ajuda de Berço
21 362 82 74
- Instituto de Apoio à Criança (IAC)
21 361 78 80
- Associação Sol
21 362 57 71
- Fundação Assistência Médica Internacional (AMI)
21 836 21 00
- Leigos para o Desenvolvimento
21 757 43 57
- Banco Alimentar Contra a Fome
21 364 96 55

Mas peço que guardem estes contactos e que os utilizem não só no Natal, mas em várias alturas do ano. Garanto-vos que se vão sentir muito felizes.
:-) Beijinhos

posted by Titá at 8.12.06 17 comments

N. Sra. da Conceição


Para mim, que sou católica, hoje, dia de N.ª Senhora da Conceição é que o Dia da Mãe.

Mãe Amo-te muito e acredita, tento todos os dias ser um pouco mais parecida contigo e ser para a Ritinha o que foste sempre para mim!

posted by Titá at 8.12.06 4 comments

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Fire


E depois, não quero estar com dores de garganta! dhahhh
posted by Titá at 6.12.06 10 comments

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Geração Rasca, sim Senhor!

Deixo esta fotografia, para chamar a Vossa atenção.


“Há 13 anos, quatro estudantes universitários ousaram mostrar o rabo ao então ministro da Educação Couto dos Santos. Pintaram nas nádegas a frase "Não pago!", um dos slogans da época em que o movimento anti-propinas estava no auge. A contestação à política educativa acabou por contagiar as escolas secundárias que se manifestaram contra as provas globais, mais uma vez, exibindo o rabo em manifestações. Foi aqui que nasceu a expressão "Geração Rasca".” (SIC)

No passado dia 2 de Dezembro, no âmbito do programa “Perdidos e Achados”, a SIC emitiu um documentário sobre a “Geração Rasca”, que repetiu posteriormente no dia 3 de Dezembro, na SIC Noticias dando origem a um debate.

Foi com um sorriso saudoso que vi imagens minhas e de meus amigos nessa luta por um Ensino Superior melhor. Reconheci tantos de nós e tantos outros que o tempo afastou: João Afonso, António Vigário, Tiago Montepegado, Carla Leite, João Chambel, Isabel Thadeu, etc etc

Não me incomodou na altura que o Jornal Independente, nos alcunhasse de “ Geração Rasca” e não me incomoda nada agora, pois não me arrependo de nenhuma dessas acções, nem das reuniões de estudantes (ENDAS ou AG’s), nem da participação em manifestações, nem das bastonadas da policia, nem de não me ter calado e de ter lutado por aquilo que acreditava.

Mais segura fico, quando me apercebo que infelizmente, aquilo que temíamos na altura e para o qual alertávamos as entidades competentes, se veio a confirmar, mostrando-nos agora uma Educação fraca, um Ensino Superior perdido, com taxas de insucesso à volta dos 50%, com um país sem quadros superiores, mas que obriga a pagar e bem aos que tentam alguma formação e que depois ainda os leva a emigrar para fugirem a uma taxa altíssima de desemprego de licenciados.

Prefiro ver-me ligada à chamada “Geração Rasca” que foi uma geração generosa, lutadora e capaz, do que à actual geração umbiguista e politicamente correcta no seu conformismo e desencanto.

No entanto, fiquei revoltada por os únicos a serem entrevistados serem exactamente os estudantes que na altura não estavam connosco e foram os culpados de toda a nossa luta ter caído em descrédito perante a opinião pública. Falo dos colegas que mostraram o rabo ao então Ministro da Educação, Professor Couto dos Santos.

Não concordei com o método deles na altura e não concordo com ele agora e desculpem-me, mas a entrevistarem alguém que identifique a “Geração Rasca” e que seja uma amostra do que somos agora, não é concerteza, entrevistarem esses três colegas.

Respeito esses colegas, reconheço a Vossa coragem, só não concordo com o método usado e ainda hoje, não vejo o que de útil trouxe esse acto para a nossa causa.

Os colegas que mostraram o rabo eram quatro: Destes só conheci o Sérgio Vitorino pelo qual, apesar de tudo, nutro respeito e simpatia, mas perdoem-me, eles não são a amostra de uma luta de anos, nem de uma geração, nem do que somos todos nós actualmente.

Não é picanço, é que se de facto passam imagens minhas e de colegas meus como sendo activistas da geração rasca, não podem depois, dar ênfase ao único acto nesta história toda, com o qual não concordámos.

Além disso não é justo que uma acção que no seu conjunto dure 30 segundos, hipoteque anos a fio de trabalho árduo e sentido.

Portugal continua a ser um país hipócrita e falsamente moralista!
Mostrar rabos é o que fica na memória desta sociedade, pelo bem e pelo mal... Não há pachorra!

posted by Titá at 4.12.06 19 comments