Titá à janela da alma
Segunda-feira, Julho 30, 2007
Bem haja Vúrdon

Desde miúda que sou fascinada pelos Ciganos, e o que Vos vou contar a seguir, só veio reiterar esse meu sentimento.
Em criança fugia da minha rua para ir espreitar um acampamento cigano a um bairro perto de onde eu morava. Também nas férias de verão, os Ciganos visitavam a Vila uma vez por mês e acampavam dois dias antes da Feira mensal. E, lá estava eu a observá-los, admirá-los, a querer dançar e cantar como eles. Fascinavam-me as suas vestes, os seus modos, a sua maneira de viver e sobretudo as suas músicas sentidas.
O fascínio era tal que acabei por ser convidada para um casamento cigano e aí vivi, uns dos três dias mais animados.
Sempre os comparei aos Marroquinos: trafulham, negoceiam, regateiam, mas no fundo são boas pessoas e esforçam-se para serem sempre melhores, de forma a combater o preconceito instalado.
O que aconteceu hoje veio confirmar essa minha opinião.
Ontem, num dos seus passeios de mota, o meu Pai parou junto de uma fonte na estrada de Viseu, procurando lavar o rosto e assim refrescar-se um pouco. Com ele trazia, como sempre, uma pequena bolsa a tiracolo onde guarda os seus pertences, e que pousou no cimo do fontanário. Distraído como é, (sim isto é genético), arrancou com a mota deixando para trás a pequena bolsa. Quando deu pela sua falta (pouco tempo depois) voltou à fonte, mas já não encontrou a bolsa. Nela guardava todos os seus documentos, cartões multibanco, carta de condução, livretes, telemóvel, chaves de casa e 250 €uros em dinheiro.
Entrámos em pânico. Dirigimo-nos aos “achados e perdidos” das esquadras da redondeza, na ânsia de alguém ter encontrado a bolsa e ter entregue à autoridade. Entre Viseu, Nelas, Canas de Senhorim e Carregal do Sal corremos tudo. Avisámos igualmente a esquadra da área da residência em Lisboa, na eventualidade de tentarem contactar através dos documentos que tinha na bolsa.
Hoje, depois de cancelarmos os cartões e o telemóvel, eu em Lisboa agarrada ao telefone e meu Pai em Viseu, passámos o dia em militâncias com os Agentes de Autoridade, GNR e PSP (todos eles, excepcionais) no sentido de em conjunto encontrarmos os documentos. Pelo menos os documentos, pois com o dinheiro nunca mais contámos, mas infelizmente, não apareceram, nem foram entregues em nenhuma das esquadras ou balcões possíveis.
Quando nos demos por vencidos e já mediamos a trabalheira que seria renovar toda aquela documentação, eis que o meu telemóvel toca e uma voz rouca e grave me explica que tinha encontrado atrás de uma pedra à beira da estrada uma bolsa com documentos e que lá dentro tinha um cartão que dizia: “Filha” e um número de telemóvel.
Dizia-me o Senhor: - “Agora a Senhora diga-me como é que eu faço para entregar isto a seu Pai!”
Perguntei-lhe onde estava, pois meu Pai iria ao seu encontro, e o Senhor responde: - É fácil, é logo na primeira barraca do acampamento de Ciganos à entrada de Viseu.
Fiquei pasma, gaguejei, mas agradeci profundamente e voltei a agradecer.
O meu Pai estava em Nelas, a tratar já de alguns documentos e por isso demorou a responder à chamada. Um amigo dele, ainda lhe dizia que ele não devia ir sozinho a um acampamento de Ciganos e que devia levar a Guarda com ele.
O Cigano voltou a ligar-me:”- Então minha Senhora? Olhe que eu não quero deitar-me com esta responsabilidade e amanhã às 5 da manhã parto para a Feira!”
Receoso, o meu Pai entrou no acampamento de Ciganos, procurando a tal primeira barraca. A sua bolsa foi-lhe entregue depois de o Cigano verificar que o rosto correspondia ao da foto do BI que estava na bolsa e …estava lá tudo.
Tudo mesmo, inclusive o dinheiro, 250 €uros.
Ciganos, gente boa!
Poucos seriam, os que nos dias que correm, devolveriam tamanha quantidade de dinheiro, mas o Cigano devolveu e estava feliz por tê-lo feito e por ajudar.
Escusado será dizer que o meu Pai lhes deu esse dinheiro, mas nós, ganhámos a prova de que os Ciganos têm gente boa e gente menos boa na sua “Tribo”, tal como nós,os gadjê, mas são um povo generoso, cheio de garra e energia.
Bem haja VURDÓN!
Vivam os brasileiros
Contou-me hoje a minha Cabeleireira, a minha querida Madinusa, que eu adoro e tenho para mim que é das pessoas mais puras que conheci, que na verdade, o seu nome quer dizer : Made in USA...
Não é delirante?!?
Isto é que é humor...
Quinta-feira, Julho 26, 2007
Voto de silêncio

Não posso dizer o porquê (por agora), mas acreditem, estou indignada.
Começou a censura, o lápis azul nos blogs.... Não o permitam!!!!
O melhor é calar-me.....
estou em silêncio e só me ouço a mim.
Ouço palavras moucas,
sem som.
Nem são palavras.
São imagens, reflexos,
Pensamentos, reacções,
Emoções, turbilhões.
Estou em silêncio.
Não falo, mas também não ouço.
Só sinto
Que sou a voz no deserto...
de mim.
Violada e ofendida é como me sinto, pois com uma personalidade ancorada em conceitos de liberdade e expressão pessoal, entro em conflito com o universo patriarcal e feudal do mundo.
Quarta-feira, Julho 25, 2007
Madeira já não é Portugal, pois não??????
Em declarações reproduzidas na edição desta quarta-feira do jornal Público, a jovem deputada social-democrata recordou ainda que a aplicação da lei no território «não é possível porque não está previsto no Orçamento da Região para 2007».
Acusada pela oposição de utilizar argumentos «retrógrados», de «falsa beatice» e «puritanismo», Rafaela Fernandes voltou a provocar polémica ao acusar os opositores de «passar um atestado de menoridade e de ignorância às mulheres madeirenses que não precisam desta lei para tomar uma decisão destas», pois «quando precisavam de fazer abortos iam lá fora». "
Terça-feira, Julho 24, 2007
Lavar de Roupa Suja

Perante Foi Assim, o livro autobiográfico de Zita Seabra agora publicado pela Aletheia, torna-se difícil sustentar uma crítica, quando somos confrontados com factos que sendo verdadeiros, alteram realidades actuais, porém, contando-me entre os portugueses que se distanciaram no passado e se distanciam hoje das suas posições, interesso-me particularmente pela história recente do nosso país. Tenho, por isso, a obrigação de procurar compreender, sem preconceitos o interesse prático deste volume. Foi aquilo que procurei fazer.
Não gosto da Zita Seabra, não me revejo nas suas posições, não percebo certas atitudes e opiniões, mas reconheço-lhe o mérito de ter tido a coragem de viver como viveu durante tantos anos, missionária de uma causa que lhe pediu tudo e a quem deu tudo, e a coragem de se olhar, de se pôr em causa e de o revelar, com o mesmo espírito de missão.
Para quem, como eu, recorda esses tempos heróicos da pós revolução com intensidade e esperança, apesar de imatura, para quem nunca percebeu as viragens ideológicas de Zita Seabra, talvez compreenda agora melhor o que a levou a militar-se e o que a levou a afastar-se. Afinal, tudo não passou somente, de uma fantasia adolescente e do crescimento de uma mulher que com a maturidade, voltou às suas raízes de “menina de bem”.
Respeito quem tem a coragem de mudar de opinião, mas não gosto de quem diz mal de alguém, por mudar de opinião. Podia ter explicado a sua viragem ideológica sem incriminar como incrimina tanta gente. Não gosto de “bufos”, sejam eles de esquerda ou de direita. Não gosto de quem lava a roupa suja em público, mas reconheço a coragem de Zita Seabra por trazer a lume, algumas posições e eventuais verdades sobre um partido que ainda hoje se mantém, com um ligeiro ar de clandestino e se rodeia de secretismos.
A Zita Seabra fez um livro descuidado e mal editado. Com contradições, erros, repetições e acusações no mínimo polémicas, e a ver vamos, se verdadeiras.
Misturo aqui com a minha opinião, excertos de uma opinião que li no blog cinco dias e que reflecte bem aquilo que também senti.
“Ao longo de páginas, a autora faz um ajuste de contas que tem uma tortuosa relação com a verdade. Página sim, página não, Zita Seabra vai difamando dirigentes do PCP que se opuseram a ela…Ao longo de todo o livro, os únicos dirigentes comunistas honestos ou viveram com Zita Seabra, ou morreram, ou saíram do PCP.”
Faz afirmações que sendo verdadeiras são no mínimo incoerentes com o seu próprio discurso, por exemplo: “na página 168, Zita Seabra garante que os militantes do PCP nunca gostaram de Zeca Afonso porque ele nunca foi do partido ou “compagnon de route”. A própria Zita Seabra, 30 páginas depois, está a descrever o agrado com que os militantes do PCP escutavam Zeca Afonso. “
O livro está cheio do ego de Zita Seabra. “Nessas páginas descobrimos a mágoa que sentiu por não ter sido convidada para a formação da UEC.. Para já não falar de afirmações, a tocar ao espantoso, quando nos quer convencer que Cunhal deixou de lhe falar porque ela foi mais aplaudida do que ele num comício em Aveiro. Como se Cunhal necessitasse, para ser reconhecido o seu valor e influência, de ter mais palmas do que ela…. “
“…Zita Seabra passa metade do livro a gabar a sua imensa coragem e a dizer da falta de valor daqueles que estavam no exílio, chegando quase a insinuar esse comodismo no próprio Cunhal. Como se Cunhal não tivesse sido preso, torturado, estado em isolamento, fugido de Peniche, e o PCP.”
“Provavelmente, a mais desagradável e reprovável “invenção” do livro de Zita Seabra tem a ver com ter metido Raimundo Narciso, em fantasiosos trabalhos de montagem de sistema de escuta na sua casa que este já desmentiu e terá mesmo obtido da autora a garantia de uma próxima correcção.”
Na minha opinião, Zita Seabra faz afirmações no mínimo polémicas, que, a esta altura, estarão concerteza a abanar a estrutura do Partido Comunista Português e a colocar em causa os ideais de muitos crédulos que por aí andam (ainda).
Por exemplo, espantosamente (pelo menos para mim, (titá peter pan)): Afirma que o militante Fogaça e outros militantes comunistas foram demitidos por serem homossexuais, What????
Afirma ainda que, Álvaro Cunhal defendia a aplicação da pena de morte sobre aqueles que tentassem derrubar o socialismo quando chegasse ao poder. Whatt????
Não sabendo até que ponto pode ou não ser verdade este tipo de afirmações, senti repúdio por tamanho desbocamento. Não sou comunista nem estou a defender o Partido, mas fico doente com este tipo de atitudes mesquinhas e ressabiadas.
No entanto, recomendo vivamente a leitura do livro. É uma parte da história recente de um país, que vem agora ao de cimo, contado na primeira pessoa, por uma mulher que, no mínimo dos mínimos, se arrependeu e está amargurada.
Vamos Rir
Vamos rir ...muito...enquanto esperamos que o tempo passe...rimos
Funk da sónia
A parte boa
Segunda-feira, Julho 23, 2007
Perguntar não ofende
Sexta-feira, Julho 20, 2007
tres notas para decir te quiero
Deixo-vos música para o Fim de semana
Vicente Amigo
O Guitarrista
Vicente Amigo
Deixo-vos música para o fim de semana....
Vicente Amigo - O guitarrista
http://www.youtube.com/watch?v=tL5mYAI6Oy4
Dia de Festa

São para ti...como toda a minha amizadeQuinta-feira, Julho 19, 2007
Grão de Areia

Do caderno da Loucura, made in pensamento!
Correntes d'escritas!
Quarta-feira, Julho 18, 2007
Morte sem nome
- Não sei...morreu...pronto!
- Assim?!
- Sim...assim...morreu!
- É o que se chama uma Morte sem nome!
A morte sem nome dará mais prazer de morrer? Menos medo?!
Eis o grande mistério, o terror, o tabu da nossa existência e a prova da nossa insignificância.
Sexta-feira, Julho 13, 2007
Mais um desafio...Ler
Agora pegou a moda e não há quem os pare.
O meu querido Mocho Falante http://mochofalante.blogspot.com/ voltou a desafiar-me. (Anda a desafiar-me tanto, que eu já receio abrir o seu pouso e encontrar por lá, um desafio para um duelo ao pôr do sol).
Desta vez, a proposta é escolher os 5 livros que mais me marcaram. Isto é um desafio dificílimo e eis-me aqui num enorme dilema para escolher apenas 5 desses maravilhosos companheiros. Como o disse Cícero: Uma casa sem livros é como um corpo sem alma.» E eu, meus amigos, sou uma pessoa com uma enorme alma (modéstia à parte) e durante os anos fui-me rodeando de tantos livros e todos eles sempre tão especiais, que me sinto bloqueada por ter que escolher somente cinco. Mas ao Mochito eu faço sempre as vontades, por isso …bem …vou tentar.
1- Um dos livros que sempre me acompanhou desde a infância, foi o
2 - Outro livro que me marcou, talvez nem tanto pela sua qualidade, mas porque durante anos foi um livro proibido e que, desobedientemente, o li às escondidas de meus pais, por volta dos 10 anos, foi o “Macaco Nu” de
3 – Meu pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, foi o primeiro livro que me despertou emoções, tristeza, alegria, consciência social e revolta. Era muito jovem quando o li e vivi intensamente cada frase, tendo sido o facto comprovado de que os livros, pela sua capacidade de me fazerem sentir e viver, jamais sairiam de minha vida. O dia em que terminei este livro, foi o primeiro dia do resto de minha vida.
É um livro extremamente marcante, comovente e triste. Marcante pela ironia da sua história, comovente pela simplicidade transmitida e com que é escrito e triste pela dor e pelas perdas retratadas. Um livro que eu gostei de ler e que pela sua simplicidade e frontalidade me transmitiu a sua mensagem e sentimentos imiscuídos de uma forma subtil e profunda. Com uma mescla de turbulentas emoções e pequenas conquistas e vitórias, vividas pelas personagens, que vêm ao rubro de forma simples e eloquente em cada palavra, eu senti-me como se também eu participasse na história. Neste livro o mais importante não é os grandes feitos ou qualquer outro acto considerado por nós, na nossa cegueira e egocentrismo, digno e merecedor de importância, mas sim, as pequenas coisas, que no fundo acabam por ser as mais bonitas e importantes; as pequenas vitórias; a dor e a conquista, do mundo real e da vida real, que acabam por ter uma fantasia mais doce e bonita e um misticismo mais profundo, do que as grandes lendas ou histórias, apenas pelo que são.
José Mauro de Vasconcelos conta-nos a história de um menino chamado Zézé, com seis anos, pobre, extremamente inteligente, sensível e carente. Não encontrando na família e nas pessoas a ternura e o afecto de que necessita, Zézé entrega o seu amor às pequenas coisas, mas em especial a Xuxuruca ou Minguinho, o seu pé de Laranja Lima, que se torna o seu grande confessor, amigo e companheiro de brincadeiras. Com Minguinho, Zézé protege-se do mundo real com uma barreira feita de brincadeiras, canções e da doce ilusão da inocência.
3 – A Filha Rebelde, de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, por razões muito pessoais e familiares, mas também porque adoro biografias foi um livro, que recentemente descobri e me emocionou profundamente.
Esta história intensa, carregada de drama, foi distinguida com o Grande Prémio Gazeta de 2002, o principal galardão de jornalismo concedido em Portugal. O livro inclui novos e surpreendentes detalhes sobre a vida de Annie e uma biografia absolutamente inédita do major Silva Pais, o último director da polícia política da ditadura.
E depois.... os melhores livros são sempre aqueles que temos entre mãos de momento, ainda que mais tarde venham a cair no esquecimento ou a serem reconhecidos como só mais um na lista, mas de facto, são os que folheio agora e não posso deixar de os sentir:
4 – Mulher em Branco, de Rodrigo Guedes de Carvalho.
"Uma criança desaparece. Estava à guarda do pai. O choque da notícia atira a mãe para um abismo de amnésia. Sem memória, é incapaz de chorar um filho que não sabe que tem. Como podemos continuar a viver se caminhamos vazios. E há um homem que arranja uma amante enquanto visita a mulher no hospital. Ladrões que roubam cinzas de uma morta. Há as maldades desumanas do amor, um sopro pérfido que o diabo sussurra aos ouvidos. Em fundo, a irracional violência do divórcio. A bestialidade das palavras que atiramos uns aos outros como pedras. Uma mulher que espera ainda e sempre, à janela. Porque o coração é um bicho e não ouve. E uma pergunta a que não se ousa responder: Para onde vão os amores que foram um dia?".
5 – Um estranho em Goa, de José Eduardo Agualusa
Um estranho em Goa é uma pequena maravilha. Assim entrei em Goa. Este livro mistura a literatura de viagens com uma aventura exótica, uma espécie de mistério que o autor não deslinda mas que lhe serve de ponto de apoio para mover personagens que enlaçam a Índia e a África com Portugal e o Brasil. Goa e Luanda, Lis¬boa e Rio de Janeiro. A Goa de Agualusa, tão bem vista e descrita, tão bonita, e o Brasil dele, ou a melancolia angolana, enlaçam emoções e estabelecem uma pátria espiritual onde todos nós, portugueses da língua, nos reconhecemos. Sem carregar a prosa com pretensa literatice, comovendo sem ornamento, fazendo poesia ao de leve, abraçando a delicadeza e a estranheza do mundo, Agualusa fez-me viajar com palavras. Estou agradecida ao escritor."
Virus
(é muito feio este virus, não é?)Quinta-feira, Julho 12, 2007
catavento

Quarta-feira, Julho 11, 2007
Queres apostar que nem todas as regras são para quebrar?!?
Do caderno da loucura, made in pensamento
Correntes d'escritas
Segunda-feira, Julho 09, 2007
Já leram as actualizações dos livros de história de Portugal?????
Do caderno da Loucura, made in pensamento!
Correntes d'escritas!
Domingo, Julho 08, 2007
Significado
Estes são os únicos que se usam. Todos os outros livros respeitam-se, adoram-se e mimam-se.
(ah, mas devem ler-se!)
;-)
Do Caderno da Loucura, made in pensamento!
É o Diário das Verdades!
Sexta-feira, Julho 06, 2007
Snob
e eu, não levo....
Do caderno da Loucura, made in pensamento!
É o Diário das Verdades!
Quarta-feira, Julho 04, 2007
Depoimento de Rita Lee
"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.
Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.
E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.
E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. "Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."
Rita Lee
Segunda-feira, Julho 02, 2007
Livros com vista para o mar

São aqueles livros que passeio, e leio, e sinto na chamada azenha do fim do mundo, num melancólico trilho, virado para o mar.
Livro, janela
Livro com vista para o mar
Livro, Olhar...para o mar
Do Caderno da Loucura, made in pensamento!
É o meu Diário de Verdades!
