Titá à janela da alma

Segunda-feira, Julho 30, 2007

Bem haja Vúrdon


Bem haja Vúrdon

Desde miúda que sou fascinada pelos Ciganos, e o que Vos vou contar a seguir, só veio reiterar esse meu sentimento.
Em criança fugia da minha rua para ir espreitar um acampamento cigano a um bairro perto de onde eu morava. Também nas férias de verão, os Ciganos visitavam a Vila uma vez por mês e acampavam dois dias antes da Feira mensal. E, lá estava eu a observá-los, admirá-los, a querer dançar e cantar como eles. Fascinavam-me as suas vestes, os seus modos, a sua maneira de viver e sobretudo as suas músicas sentidas.
O fascínio era tal que acabei por ser convidada para um casamento cigano e aí vivi, uns dos três dias mais animados.
Sempre os comparei aos Marroquinos: trafulham, negoceiam, regateiam, mas no fundo são boas pessoas e esforçam-se para serem sempre melhores, de forma a combater o preconceito instalado.

O que aconteceu hoje veio confirmar essa minha opinião.

Ontem, num dos seus passeios de mota, o meu Pai parou junto de uma fonte na estrada de Viseu, procurando lavar o rosto e assim refrescar-se um pouco. Com ele trazia, como sempre, uma pequena bolsa a tiracolo onde guarda os seus pertences, e que pousou no cimo do fontanário. Distraído como é, (sim isto é genético), arrancou com a mota deixando para trás a pequena bolsa. Quando deu pela sua falta (pouco tempo depois) voltou à fonte, mas já não encontrou a bolsa. Nela guardava todos os seus documentos, cartões multibanco, carta de condução, livretes, telemóvel, chaves de casa e 250 €uros em dinheiro.

Entrámos em pânico. Dirigimo-nos aos “achados e perdidos” das esquadras da redondeza, na ânsia de alguém ter encontrado a bolsa e ter entregue à autoridade. Entre Viseu, Nelas, Canas de Senhorim e Carregal do Sal corremos tudo. Avisámos igualmente a esquadra da área da residência em Lisboa, na eventualidade de tentarem contactar através dos documentos que tinha na bolsa.
Hoje, depois de cancelarmos os cartões e o telemóvel, eu em Lisboa agarrada ao telefone e meu Pai em Viseu, passámos o dia em militâncias com os Agentes de Autoridade, GNR e PSP (todos eles, excepcionais) no sentido de em conjunto encontrarmos os documentos. Pelo menos os documentos, pois com o dinheiro nunca mais contámos, mas infelizmente, não apareceram, nem foram entregues em nenhuma das esquadras ou balcões possíveis.
Quando nos demos por vencidos e já mediamos a trabalheira que seria renovar toda aquela documentação, eis que o meu telemóvel toca e uma voz rouca e grave me explica que tinha encontrado atrás de uma pedra à beira da estrada uma bolsa com documentos e que lá dentro tinha um cartão que dizia: “Filha” e um número de telemóvel.
Dizia-me o Senhor: - “Agora a Senhora diga-me como é que eu faço para entregar isto a seu Pai!”
Perguntei-lhe onde estava, pois meu Pai iria ao seu encontro, e o Senhor responde: - É fácil, é logo na primeira barraca do acampamento de Ciganos à entrada de Viseu.
Fiquei pasma, gaguejei, mas agradeci profundamente e voltei a agradecer.
O meu Pai estava em Nelas, a tratar já de alguns documentos e por isso demorou a responder à chamada. Um amigo dele, ainda lhe dizia que ele não devia ir sozinho a um acampamento de Ciganos e que devia levar a Guarda com ele.
O Cigano voltou a ligar-me:”- Então minha Senhora? Olhe que eu não quero deitar-me com esta responsabilidade e amanhã às 5 da manhã parto para a Feira!”
Receoso, o meu Pai entrou no acampamento de Ciganos, procurando a tal primeira barraca. A sua bolsa foi-lhe entregue depois de o Cigano verificar que o rosto correspondia ao da foto do BI que estava na bolsa e …estava lá tudo.
Tudo mesmo, inclusive o dinheiro, 250 €uros.
Ciganos, gente boa!
Poucos seriam, os que nos dias que correm, devolveriam tamanha quantidade de dinheiro, mas o Cigano devolveu e estava feliz por tê-lo feito e por ajudar.
Escusado será dizer que o meu Pai lhes deu esse dinheiro, mas nós, ganhámos a prova de que os Ciganos têm gente boa e gente menos boa na sua “Tribo”, tal como nós,os gadjê, mas são um povo generoso, cheio de garra e energia.


Eu tinha que fazer aqui esta menção aos Ciganos!
Bem haja VURDÓN!


posted by Titá at 30.7.07 3 comments

Vivam os brasileiros

Não há dúvida de que o povo Brasileiro tem humor e sabe-se divertir como ninguém.

Contou-me hoje a minha Cabeleireira, a minha querida Madinusa, que eu adoro e tenho para mim que é das pessoas mais puras que conheci, que na verdade, o seu nome quer dizer : Made in USA...

Não é delirante?!?
Isto é que é humor...
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Quinta-feira, Julho 26, 2007

Voto de silêncio


Durante os próximos dias vou estar em voto de silêncio como forma de protesto.

Não posso dizer o porquê (por agora), mas acreditem, estou indignada.

Começou a censura, o lápis azul nos blogs.... Não o permitam!!!!

O melhor é calar-me.....
Estou em silêncio,
estou em silêncio e só me ouço a mim.
Ouço palavras moucas,
sem som.
Nem são palavras.
São imagens, reflexos,
Pensamentos, reacções,
Emoções, turbilhões.
Estou em silêncio.
Não falo, mas também não ouço.
Só sinto
Que sou a voz no deserto...
de mim.


Violada e ofendida é como me sinto, pois com uma personalidade ancorada em conceitos de liberdade e expressão pessoal, entro em conflito com o universo patriarcal e feudal do mundo.


posted by Titá at 26.7.07 12 comments

Quarta-feira, Julho 25, 2007

Madeira já não é Portugal, pois não??????

Por favor, alguém que me diga que a Madeira já é independente, que não faz parte de Portugal..por favor, digam-me que isto não aconteceu, e que estas palavras, não foram proferidas por uma Mulher, em pleno século XXI e que se diz, Social democrata...please...alguém me acorda do pesadelo.
"Madeira: «função das mulheres é procriação», diz deputada PSDO líder do grupo parlamentar do PSD madeirense, Jaime Ramos, garantiu ontem que a Madeira «nunca, nunca, nunca» aplicará a lei da interrupção voluntária da gravidez, numa tomada de posição apoiada pela porta-voz do partido no debate na Assembleia, Rafaela Fernandes, para quem «a função das mulheres é a procriação».
Em declarações reproduzidas na edição desta quarta-feira do jornal Público, a jovem deputada social-democrata recordou ainda que a aplicação da lei no território «não é possível porque não está previsto no Orçamento da Região para 2007».
Acusada pela oposição de utilizar argumentos «retrógrados», de «falsa beatice» e «puritanismo», Rafaela Fernandes voltou a provocar polémica ao acusar os opositores de «passar um atestado de menoridade e de ignorância às mulheres madeirenses que não precisam desta lei para tomar uma decisão destas», pois «quando precisavam de fazer abortos iam lá fora». "
Para além disto, abro os jornais de hoje e leio um texto de Manuel Alegre sobre o "medo", "censura", ainda se fala do processo do professor suspenso, das criancinhas contratadas para campanhas de promoção do Primeiro Ministro, (assim que a modos de "Mocidade Portuguesa",) a Nova Lei da Comunicação Social, assusta e relembra o velho "lápis azul"...
Ai, ai....eu ando a ter pesadelos....
Querem ver que a Zita Seabra tem que voltar ao PCP, para se voltar a pôr tudo no lugar e relembrar esta malta que a democracia em Portugal já não pode ser hesitante, pois já tem mais de 30 anos??!!!.....
posted by Titá at 25.7.07 2 comments

Terça-feira, Julho 24, 2007

Lavar de Roupa Suja


Um livro à quarta -feira

Estou a ler o livro de Zita Seabra. Apesar de não apreciar este tipo de atitudes, é o livro que hoje recomendo.

Perante Foi Assim, o livro autobiográfico de Zita Seabra agora publicado pela Aletheia, torna-se difícil sustentar uma crítica, quando somos confrontados com factos que sendo verdadeiros, alteram realidades actuais, porém, contando-me entre os portugueses que se distanciaram no passado e se distanciam hoje das suas posições, interesso-me particularmente pela história recente do nosso país. Tenho, por isso, a obrigação de procurar compreender, sem preconceitos o interesse prático deste volume. Foi aquilo que procurei fazer.
Não gosto da Zita Seabra, não me revejo nas suas posições, não percebo certas atitudes e opiniões, mas reconheço-lhe o mérito de ter tido a coragem de viver como viveu durante tantos anos, missionária de uma causa que lhe pediu tudo e a quem deu tudo, e a coragem de se olhar, de se pôr em causa e de o revelar, com o mesmo espírito de missão.
Para quem, como eu, recorda esses tempos heróicos da pós revolução com intensidade e esperança, apesar de imatura, para quem nunca percebeu as viragens ideológicas de Zita Seabra, talvez compreenda agora melhor o que a levou a militar-se e o que a levou a afastar-se. Afinal, tudo não passou somente, de uma fantasia adolescente e do crescimento de uma mulher que com a maturidade, voltou às suas raízes de “menina de bem”.
Respeito quem tem a coragem de mudar de opinião, mas não gosto de quem diz mal de alguém, por mudar de opinião. Podia ter explicado a sua viragem ideológica sem incriminar como incrimina tanta gente. Não gosto de “bufos”, sejam eles de esquerda ou de direita. Não gosto de quem lava a roupa suja em público, mas reconheço a coragem de Zita Seabra por trazer a lume, algumas posições e eventuais verdades sobre um partido que ainda hoje se mantém, com um ligeiro ar de clandestino e se rodeia de secretismos.
A Zita Seabra fez um livro descuidado e mal editado. Com contradições, erros, repetições e acusações no mínimo polémicas, e a ver vamos, se verdadeiras.
Misturo aqui com a minha opinião, excertos de uma opinião que li no blog cinco dias e que reflecte bem aquilo que também senti.


Ao longo de páginas, a autora faz um ajuste de contas que tem uma tortuosa relação com a verdade. Página sim, página não, Zita Seabra vai difamando dirigentes do PCP que se opuseram a ela…Ao longo de todo o livro, os únicos dirigentes comunistas honestos ou viveram com Zita Seabra, ou morreram, ou saíram do PCP.”
Faz afirmações que sendo verdadeiras são no mínimo incoerentes com o seu próprio discurso, por exemplo: “na página 168, Zita Seabra garante que os militantes do PCP nunca gostaram de Zeca Afonso porque ele nunca foi do partido ou “compagnon de route”. A própria Zita Seabra, 30 páginas depois, está a descrever o agrado com que os militantes do PCP escutavam Zeca Afonso.
O livro está cheio do ego de Zita Seabra. “Nessas páginas descobrimos a mágoa que sentiu por não ter sido convidada para a formação da UEC.. Para já não falar de afirmações, a tocar ao espantoso, quando nos quer convencer que Cunhal deixou de lhe falar porque ela foi mais aplaudida do que ele num comício em Aveiro. Como se Cunhal necessitasse, para ser reconhecido o seu valor e influência, de ter mais palmas do que ela…. “
“…Zita Seabra passa metade do livro a gabar a sua imensa coragem e a dizer da falta de valor daqueles que estavam no exílio, chegando quase a insinuar esse comodismo no próprio Cunhal. Como se Cunhal não tivesse sido preso, torturado, estado em isolamento, fugido de Peniche, e o PCP
.”
Provavelmente, a mais desagradável e reprovável “invenção” do livro de Zita Seabra tem a ver com ter metido Raimundo Narciso, em fantasiosos trabalhos de montagem de sistema de escuta na sua casa que este já desmentiu e terá mesmo obtido da autora a garantia de uma próxima correcção.”

Na minha opinião, Zita Seabra faz afirmações no mínimo polémicas, que, a esta altura, estarão concerteza a abanar a estrutura do Partido Comunista Português e a colocar em causa os ideais de muitos crédulos que por aí andam (ainda).
Por exemplo, espantosamente (pelo menos para mim, (titá peter pan)): Afirma que o militante Fogaça e outros militantes comunistas foram demitidos por serem homossexuais, What????
Afirma ainda que, Álvaro Cunhal defendia a aplicação da pena de morte sobre aqueles que tentassem derrubar o socialismo quando chegasse ao poder. Whatt????

Não sabendo até que ponto pode ou não ser verdade este tipo de afirmações, senti repúdio por tamanho desbocamento. Não sou comunista nem estou a defender o Partido, mas fico doente com este tipo de atitudes mesquinhas e ressabiadas.

No entanto, recomendo vivamente a leitura do livro. É uma parte da história recente de um país, que vem agora ao de cimo, contado na primeira pessoa, por uma mulher que, no mínimo dos mínimos, se arrependeu e está amargurada.
posted by Titá at 24.7.07 9 comments

Vamos Rir

omo ainda falta muito para o fim de semana, ainda mais para as férias, e toda a gente me fala das viagens que já estão prestes a fazer e eu, a esperar ansiosamente pelo dia 6, aqui vai a solução:
Vamos rir ...muito...enquanto esperamos que o tempo passe...rimos


Funk da sónia
posted by Titá at 24.7.07 6 comments

A parte boa

A parte Boa do "fala Sónia" - O sucesso, a humildade

posted by Titá at 24.7.07 3 comments

Segunda-feira, Julho 23, 2007

Perguntar não ofende



E PARA AS FÉRIAS??????
posted by Titá at 23.7.07 1 comments

Sexta-feira, Julho 20, 2007

tres notas para decir te quiero



Deixo-vos música para o Fim de semana

Vicente Amigo
O Guitarrista
posted by Titá at 20.7.07 1 comments

Vicente Amigo


Deixo-vos música para o fim de semana....


Vicente Amigo - O guitarrista

http://www.youtube.com/watch?v=tL5mYAI6Oy4
posted by Titá at 20.7.07 0 comments

Dia de Festa



Uma das pessoas mais fantásticas que tive oportunidade de conhecer aqui foi o Mocho Falante.

Trata-se de uma pessoa muito sensivel, intuitiva, generosa e franca.

Hoje, é dia de festa!

O Mocho faz anos e eu não podia deixar de comemorar este dia tão especial e mostrar a todos e em particular ao Paulo o quanto estou grata por ser sua amiga.


Parabéns Mocho...Um dia muito feliz para ti e muitas, muitas felicidades

São para ti...como toda a minha amizade
posted by Titá at 20.7.07 5 comments

Quinta-feira, Julho 19, 2007

Grão de Areia


Às vezes olho para este mundo e vejo vários mundos, como grãos de areia.


São mundos reais e imaginários, universos alternativos e de ficção, com pinceladas de horror e manchas coloridas de breves sorrisos, de pequenas aventuras.

Uma manta de retalhos, que constitui este mundo, que visto à lupa de um cientista, seria um mundo impossível de viver e, no entanto, no geral, é visto como um quadro em moldura mágica.




Do caderno da Loucura, made in pensamento!


Correntes d'escritas!

posted by Titá at 19.7.07 1 comments

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Morte sem nome

-Morreu?! Do quê?!

- Não sei...morreu...pronto!

- Assim?!

- Sim...assim...morreu!

- É o que se chama uma Morte sem nome!





A morte sem nome dará mais prazer de morrer? Menos medo?!

Eis o grande mistério, o terror, o tabu da nossa existência e a prova da nossa insignificância.
posted by Titá at 18.7.07 3 comments

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Mais um desafio...Ler


Agora pegou a moda e não há quem os pare.
O meu querido Mocho Falante http://mochofalante.blogspot.com/ voltou a desafiar-me. (Anda a desafiar-me tanto, que eu já receio abrir o seu pouso e encontrar por lá, um desafio para um duelo ao pôr do sol).
Desta vez, a proposta é escolher os 5 livros que mais me marcaram. Isto é um desafio dificílimo e eis-me aqui num enorme dilema para escolher apenas 5 desses maravilhosos companheiros. Como o disse Cícero: Uma casa sem livros é como um corpo sem alma.» E eu, meus amigos, sou uma pessoa com uma enorme alma (modéstia à parte) e durante os anos fui-me rodeando de tantos livros e todos eles sempre tão especiais, que me sinto bloqueada por ter que escolher somente cinco. Mas ao Mochito eu faço sempre as vontades, por isso …bem …vou tentar.

1- Um dos livros que sempre me acompanhou desde a infância, foi o
"O Princepezinho de Antoine De Saint-Exupery ( o meu refúgio de sonhos, onde volto muitas vezes, para aprender e reaprender a sonhar e acreditar no sonho).

2 - Outro livro que me marcou, talvez nem tanto pela sua qualidade, mas porque durante anos foi um livro proibido e que, desobedientemente, o li às escondidas de meus pais, por volta dos 10 anos, foi o “Macaco Nu de
Desmond Morris que descreve a espécie humana através de uma perspectiva etologista, ou seja, como a que é geralmente adoptada à descrição do comportamento das outras espécies animais. Obra de referência, abriu novos caminhos de investigação e discussão, nomeadamente os da etologia humana. Valeu pela sensação de quebrar uma regra e jamais o esqueci.

3 – Meu pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, foi o primeiro livro que me despertou emoções, tristeza, alegria, consciência social e revolta. Era muito jovem quando o li e vivi intensamente cada frase, tendo sido o facto comprovado de que os livros, pela sua capacidade de me fazerem sentir e viver, jamais sairiam de minha vida. O dia em que terminei este livro, foi o primeiro dia do resto de minha vida.
É um livro extremamente marcante, comovente e triste. Marcante pela ironia da sua história, comovente pela simplicidade transmitida e com que é escrito e triste pela dor e pelas perdas retratadas. Um livro que eu gostei de ler e que pela sua simplicidade e frontalidade me transmitiu a sua mensagem e sentimentos imiscuídos de uma forma subtil e profunda. Com uma mescla de turbulentas emoções e pequenas conquistas e vitórias, vividas pelas personagens, que vêm ao rubro de forma simples e eloquente em cada palavra, eu senti-me como se também eu participasse na história. Neste livro o mais importante não é os grandes feitos ou qualquer outro acto considerado por nós, na nossa cegueira e egocentrismo, digno e merecedor de importância, mas sim, as pequenas coisas, que no fundo acabam por ser as mais bonitas e importantes; as pequenas vitórias; a dor e a conquista, do mundo real e da vida real, que acabam por ter uma fantasia mais doce e bonita e um misticismo mais profundo, do que as grandes lendas ou histórias, apenas pelo que são.
José Mauro de Vasconcelos conta-nos a história de um menino chamado Zézé, com seis anos, pobre, extremamente inteligente, sensível e carente. Não encontrando na família e nas pessoas a ternura e o afecto de que necessita, Zézé entrega o seu amor às pequenas coisas, mas em especial a Xuxuruca ou Minguinho, o seu pé de Laranja Lima, que se torna o seu grande confessor, amigo e companheiro de brincadeiras. Com Minguinho, Zézé protege-se do mundo real com uma barreira feita de brincadeiras, canções e da doce ilusão da inocência.

3 – A Filha Rebelde, de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, por razões muito pessoais e familiares, mas também porque adoro biografias foi um livro, que recentemente descobri e me emocionou profundamente.
Esta história intensa, carregada de drama, foi distinguida com o Grande Prémio Gazeta de 2002, o principal galardão de jornalismo concedido em Portugal. O livro inclui novos e surpreendentes detalhes sobre a vida de Annie e uma biografia absolutamente inédita do major Silva Pais, o último director da polícia política da ditadura.


E depois.... os melhores livros são sempre aqueles que temos entre mãos de momento, ainda que mais tarde venham a cair no esquecimento ou a serem reconhecidos como só mais um na lista, mas de facto, são os que folheio agora e não posso deixar de os sentir:

4 – Mulher em Branco, de Rodrigo Guedes de Carvalho.
"Uma criança desaparece. Estava à guarda do pai. O choque da notícia atira a mãe para um abismo de amnésia. Sem memória, é incapaz de chorar um filho que não sabe que tem. Como podemos continuar a viver se caminhamos vazios. E há um homem que arranja uma amante enquanto visita a mulher no hospital. Ladrões que roubam cinzas de uma morta. Há as maldades desumanas do amor, um sopro pérfido que o diabo sussurra aos ouvidos. Em fundo, a irracional violência do divórcio. A bestialidade das palavras que atiramos uns aos outros como pedras. Uma mulher que espera ainda e sempre, à janela. Porque o coração é um bicho e não ouve. E uma pergunta a que não se ousa responder: Para onde vão os amores que foram um dia?".

5 – Um estranho em Goa, de José Eduardo Agualusa
Um estranho em Goa é uma pequena maravilha. Assim entrei em Goa. Este livro mistura a literatura de viagens com uma aventura exótica, uma espécie de mistério que o autor não deslinda mas que lhe serve de ponto de apoio para mover personagens que enlaçam a Índia e a África com Portugal e o Brasil. Goa e Luanda, Lis¬boa e Rio de Janeiro. A Goa de Agualusa, tão bem vista e descrita, tão bonita, e o Brasil dele, ou a melancolia angolana, enlaçam emoções e estabelecem uma pátria espiritual onde todos nós, portugueses da língua, nos reconhecemos. Sem carregar a prosa com pretensa literatice, comovendo sem ornamento, fazendo poesia ao de leve, abraçando a delicadeza e a estranheza do mundo, Agualusa fez-me viajar com palavras. Estou agradecida ao escritor."
Para ser sincera o "livro" que mais leio ultimamente é o Novo Código para a Contratação Pública, mas este, não o recomendo a ninguém. :-))
Bem...agora tenho que desafiar cinco amigos, para que também eles partilhem os seus gostos literários. Mais um dilema, quem? Mas cá vai....
1- O Dj do http://barvelho.blogspot.com/
2 - Meu Querido Ad, Homem do Jazz http://adcard.blogspot.com/
3 - O meu Primo PB, de retalhos de memórias em http://paulpi.blogspot.com/
4- Obviamente o meu Irmão, do Um dia Depois http://sambock.blogspot.com/
5- E claro, o Sr. Talk Show, do http://iglamour.blogspot.com/
Cumpri o desafio! Foi dificil, mas já está!
Aguardo curiosamente para saber os gostos literários de mais cinco amigos e espero, sinceramente, que estas correntes desafiadoras sirvam para despertar a curiosidade e o interesse de todos os que nos visitam e os levem a ler mais e mais...
Beijos para todos
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Virus

(é muito feio este virus, não é?)

Haverá anti-virus para o virus da hipocrisia????




do caderno da loucura, made in pensamento!

Correntes d'escritas!
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Quinta-feira, Julho 12, 2007

catavento



Irritam-me aqueles homens com ar de (s)exorcistas a que chamo de cataventos, pela forma como balançam a cabeça, sem pudor, sempre que uma saia por eles passa!






Do caderno da loucura, made in pensamento!


Correntes d'escritas!
posted by Titá at 12.7.07 4 comments

Quarta-feira, Julho 11, 2007

Apostas, postas



Queres apostar que nem todas as regras são para quebrar?!?





Do caderno da loucura, made in pensamento

Correntes d'escritas
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Segunda-feira, Julho 09, 2007

Diz o povo que: “Dos fracos, não reza a história”

Já leram as actualizações dos livros de história de Portugal?????



Do caderno da Loucura, made in pensamento!
Correntes d'escritas!
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Domingo, Julho 08, 2007

Significado

Dicionários- Livros para usar


Estes são os únicos que se usam. Todos os outros livros respeitam-se, adoram-se e mimam-se.





(ah, mas devem ler-se!)


;-)



Do Caderno da Loucura, made in pensamento!

É o Diário das Verdades!
posted by Titá at 8.7.07 1 comments

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Snob

Para ser vitima do snobismo, é necessário levá-los a sério...



e eu, não levo....





Do caderno da Loucura, made in pensamento!

É o Diário das Verdades!
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Quarta-feira, Julho 04, 2007

Depoimento de Rita Lee

Eu tinha que publicar este depoimento aqui! Achei extraordinário!
Ao longo dos anos, sempre me espantei e interiozei com muitas opiniões de Rita Lee.
Aprecio a sua música, mas não posso dizer que sou fã. No entanto, como Mulher, pensadora, admiro-a muito e já não é a primeira vez que publico aqui, ou registo em meus cadernos, frases proferidas por esta mulher ou depoimentos Seus, que têm a capacidade de nos pôr a pensar e a avaliar a nossa postura na sociedade e que, consequentemente, levam alguns homens a olhar-nos com outros olhos ( ainda que por breves momentos).
Leiam, reflictam e dêm a Vossa opinião:

"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. "Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda.
"

Rita Lee
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Segunda-feira, Julho 02, 2007

Livros com vista para o mar




Livros com vista para o mar...


São todos os meus livros, que gosto de adorar, sentada nas escadas das azenhas...virada para o mar.



São aqueles livros que passeio, e leio, e sinto na chamada azenha do fim do mundo, num melancólico trilho, virado para o mar.



Livro, janela



Livro com vista para o mar



Livro, Olhar...para o mar



Do Caderno da Loucura, made in pensamento!

É o meu Diário de Verdades!
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