Titá à janela da alma

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Um artigo demolidor de Clara Ferreira Alves


"A justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca "
-
Clara Ferreira Alves - Expresso


"Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.


Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas
ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos.

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num
parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?


As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa! "

* Clara Ferreira Alves - "Expresso"
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Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Luto


O músico e tecladista Richard Wright, um dos fundadores do grupo de rock progressivo Pink Floyd, morreu hoje (15-09-2008), aos 65 anos.


A música está de luto!


"Wright conheceu os também membros do Pink Floyd, Roger Waters e Nick Mason na faculdade. Juntos formaram a banda Sigma 6, que viria a tornar -se nos Pink Floyd.


O músico compôs algumas das principais canções do grupo, incluindo "The great gig in the sky" e "Us and them", do clássico "The dark side of the moon", de 1973.

Instrumentista talentoso, Wright lançou seu primeiro álbum solo em 1978, batizado de "Wet dream". No início da década de 1980, deixou os Pink Floyd e formou a banda Zee.
Já em 1987, o músico retornou ao Floyd para o álbum "A momentary lapse of reason". Sua última apresentação com os integrantes remanescentes da banda foi em 2005, no festival Live 8, em Londres." in Globo





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Segunda-feira, Setembro 08, 2008

Mamma Mia!



Eu não gosto de musicais!Por norma, não gosto!


Era muito nova para ser realmente uma fã dos ABBA, mas obviamente lembro-me deles e de ouvir as suas músicas dezenas de vezes por dia na rádio!


Aquelas cenas de danças colectivas, muito encenadas e sincronizadas, por norma, deixam-me impaciente.


Mas a verdade é que, e apesar de arrastada, sem alternativa, adorei o filme Mamma Mia e passei uma hora divertida, descontraída, com alegria e música.


Espantosamente, a descontração dos actores que participam no filme e a alegria contagiante do enredo, tornou a sala do cinema, um espaço de interactividade em que pessoas de várias gerações, cantarolavam, dançavam nas cadeiras e até batiam palmas durante o filme.


Um enredo doce, momentos cómicos, a beleza das ilhas gregas, muita música e dança, com a extraordinária participação da sempre fantástica Meryl Streep, trouxeram à memória sons de infância e um confortável sentimento de nostalgia.


Incrivelmente, o meu subconsciente relembrou-se de muitos dos refrões cantados durante esta hora e meia e apanhei-me a cantarolá-los durante o filme.


"A história deste musical não trata do enorme sucesso do grupo musical sueco, mas sim de Donna, uma mãe solteira, com a sua filha Sophie, de 20 anos de idade, que vivem desde os anos 70 numa pequena ilha grega, onde vivem de uma modesta taverna. Sophie, que brevemente irá casar com o seu noivo Sky, quer que o seu pai esteja presenta no casamento. No diário da sua mãe Sophie descobre que há três possíveis pais. Esta incerteza tem que ter um fim antes do seu casamento, assim que ela convida os três potenciais pais ao seu casamento. Juntam-se as amigas de infância de Donna, que trazem velhas recordações do seu antigo trio musical “Donna And The Dynamos”. " in Wikipédia

Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo .


Este musical há quase 10 anos em cartaz foi agora transformado em filme ...e vale a pena afastarmos-nos do mundo real por um pouco e aproveitar este momento!
Perante a crise, o terrorismo, a guerra, as eleições em Angola e nos EUA, não nos faz mal nenhum reouvir os ABBA e recordar esses momentos descontraidos e felizes dos anos 70!

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posted by Titá at 8.9.08 7 comments